Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010
CASO DO STM
Sem querer querendo
General diz que não teve intenção de discriminar gays e o senador Azeredo diz que ele não pode ser punido
por Redação MundoMais
O general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho
BRASÍLIA – Com medo de perder o cargo de ministro no Supremo Tribunal Militar (STM), o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho encaminhou uma carta ao Senado nesta quarta-feira, 10, negando sua homofobia.
“Fui bem claro em minhas afirmações, que em momento algum contrariam a Constituição. Durante todos esses anos de serviço nunca persegui, discriminei ou puni qualquer militar por ter se declarado homossexual ou mesmo praticado o homossexualismo”, remendou Cerqueira Filho.
O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que é relator do processo da admissão do general para o STM, foi quem leu a carta. Na posição do senador tucano, Cerqueira Filho “não pode ser punido pelas suas declarações”, e defendeu o general homofóbico.
"Ele confirma na carta o seu respeito à Constituição e aos Direitos Humanos daqueles que, por opção, tenham qualquer tipo de opção sexual. Recebi a carta na condição de relator da sua indicação para o STM. O general tem ampla folha de serviços prestados ao país nos mais de 40 anos que liderou militares no país", disse o tucano de Minas Gerais.
O joio e o trigo – Em sua defesa, o general tentou separar a sua opinião homofóbica enquanto pessoa física da do Exército. “Minha posição não é necessariamente a do Exército. Minha opinião foi puramente relativa à aptidão ao perfil da atividade. Meu posicionamento não tem força de lei, pois cabe ao Ministério da Defesa, juntamente com as três Forças, estudar, e se for o caso, propor projeto de lei que permita o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas. E ao Congresso Nacional compete a aprovação", esquivou-se.
Durante sua sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), no último dia 02, Cerqueira Filho disse que os subordinados não obedeceriam as ordens dos superiores gays. Ele argumentou que a vida militar pode não se ajustar ao comportamento desse tipo de indivíduo. “Talvez tenha outro ramo de atividade que ele [o militar gay] possa desempenhar”, proclamou na sabatina.
Depois de vários protestos e pedidos de negação do nome de Cerqueira Filho para o posto de ministro do STM, o general corre o risco de ter sua indicação negada pelo plenário do Senado, apesar da CCJ ter aprovado seu nome por unanimidade.
_____________________
Matérias relacionadas:
Os ex-sargentos Fernando Alcântara e Laci Araújo protocolam requerimento contra os indicados ao STM
Professor e empresário se mobilizam contra o homofóbico ministro do STM e convocam os LGBT
General indicado para posto de ministro do Supremo Tribunal Militar diz que Exército não pode ter gays
Acusações insultuosas e comentários em desacordo com o tema da matéria serão despublicados.