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Segunda-feira, 08 de Março de 2010
DIREITO DE AMAR
Recomeçar é possível
Direito de Amar narra a história de um professor que tenta retomar sua rotina após a morte do parceiro
por Eliane Macel da BR Press para o MundoMais
Direito de Amar [A Single Man, EUA, 2010] é um filme que só foi demasiadamente infeliz na adaptação do título original – A Single Man – para lançamento no Brasil. No mais, o filme é um primor.
Tom Ford, o estilista que, pela primeira vez, se aventura – e bem – no mundo cinematográfico, mostra que pode ser tão talentoso nas passarelas quanto atrás das câmeras, dirigindo uma história de amor homossexual, mas que não faz dela o prato principal do menu.
A avalanche de pensamentos, sensações e flagelos que acontece na mente do protagonista é a premissa – assim como no livro do qual fora baseado. Christopher Isherwood é o responsável por tudo isso, em primeira mão.
O autor escreveu o livro Cabaret, que é narrado praticamente por meio dos devaneios, observações e depressões do personagem principal, George, um inglês de 50 anos que dá aulas de literatura em Los Angeles – brilhantemente interpretado por Colin Firth, indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo papel, mas não levou a estatueta.
Política do medo – Direito de Amar se passa em 1962, época da crise de mísseis com Cuba. Professor George sente-se perdido e sem conseguir levar adiante sua vida após ter perdido seu companheiro de 16 anos, Jim (Matthew Goode), repentinamente em um acidente. Sem saber lidar com tal descarga de emoções e dores, ele resolve viver isolado do mundo e colocar um fim em sua própria vida, planejando meticulosamente cada passo de seus planos.
Porém, neste processo todo, alguns pequenos momentos lhe mostram que a vida ainda pode valer a pena. O ator Colin Firth, que já ganhou como melhor ator no Festival de Veneza e no Bafta, consegue fazer o espectador compartilhar facilmente sua dor e seu cinismo. Ele escancara os valores americanos hipócritas dos anos 50 em aulas incandescentes, porém discretas na universidade.
Elenco bom – Julianne Moore, que faz Charley, amiga do professor, enche de graça a tela nas tomadas das quais participa (sendo ela, não poderia ser diferente). Nicholas Hoult, Matthew Goode, Ginnifer Goodwin, Jon Kortajarena e Paulette Lamori também fazem parte do elenco. Tom Ford (que investiu, sozinho, em sua própria criação), como estreante, fez, em parceria com Eduard Grau, um excelente trabalho de edição e fotografia.
O filme é impecavelmente chique, sóbrio, numa mistura das cores fortes e acinzentadas. Sem mencionar a diferença que seu enquadramento clássico faz. A cara de Ford, esteticamente falando. E profundo, introspectivo, como pedem os melhores personagens de Firth, o eterno e lacônico Mr. Darcy.
Direito de Amar (A Single Man, EUA, 2009). Direção: Tom Ford. Com Collin Firth e Julianne Moore. Após a morte de seu parceiro, um professor de inglês tenta retomar sua rotina, pensando colocar um fim em sua própria vida. 14 anos. Exibição em circuito nacional_____________________
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