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Lar, amargo lar

Levantamento LGBT conclui que 22% dos casos de homofobia ocorrem em ambiente familiar.

por Redação MundoMais

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Na noite do primeiro dia do ano, um estudante universitário de 20 anos, da região do Vale do Aço, foi atacado com socos e golpes de cinto em seu rosto. O agressor foi sua própria mãe, ao descobrir que o rapaz era homossexual. Ela chorou e disse que eu tinha destruído a vida dela. Ficou com uma ira que eu nunca vi e disse que eu ia morrer, contou o aluno de administração, que acaba de entrar para uma estatística de preconceito e intolerância.

Os casos de violência motivados pela orientação sexual de um membro da família não são raros. Um levantamento feito pelo Centro de Referência da Cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais Travestis e Transexuais) do Rio de Janeiro mostra que grande parte de LGBTs que sofrem agressão é vitimada no ambiente familiar. Dos 5.070 atendimentos realizados pela entidade, entre julho de 2010 e julho de 2011, 22,4% se tratavam de agressões sofridas em casa, sendo pais, mães e outros parentes os principais autores dos ataques.

Em Minas Gerais, não há estatísticas sobre o assunto, mas o coordenador do Centro de Referência pelos Direitos Humanos e Cidadania LGBT da capital, Carlos Magno, avalia que o dado é preocupante. É preciso ter uma ação urgente para mudar isso, afirmou.

Acostumada a atender LGBTs em situação de vulnerabilidade, a psicóloga Dalcira Ferrão explica que uma agressão homofóbica sofrida dentro de casa pode ter consequências ainda mais graves para a vítima. A pessoa fica sujeita a depressão, isolamento social e até suicídio, explicou.

A primeira atitude tomada pelo jovem universitário depois de apanhar da mãe foi sair de casa. Peguei R$ 100 emprestados com minha irmã e voltei para Belo Horizonte, contou. Ele disse que não quis acionar a polícia e nem foi ao médico, apesar dos hematomas que teriam ficado no peito e no rosto. A mãe, segundo ele, tomou as chaves do apartamento onde ele morava na capital e os cartões de crédito. Foi uma humilhação emocional grande, disse o estudante.

Procurada pela reportagem, a mãe não quis comentar a versão do filho. Não tenho nada contra a escolha. Mas aceitar (a orientação do filho) depende da minha religião, disse ela.

O episódio familiar é um dos lados de uma realidade de intolerância presente em Minas Gerais. Balanço do Grupo Gay da Bahia (GGB) revela aumento no número de assassinatos de LGBTs no Estado: 18 LGBTs foram mortos em 2010, enquanto 21 foram assassinados no ano passado. O aumento foi de 16%. A homofobia é tão impregnada que há mães que preferem que o filho seja bandido ou morra a ser gay, avalia o antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB. O levantamento refere-se apenas a assassinatos.

Amigos organizam festa em apoio a jovem

Foi no boca a boca que a agressão homofóbica sofrida pelo estudante virou assunto na capital. O fato chegou ao conhecimento de amigos de amigos e rapidamente uma rede de ajuda foi formada em Belo Horizonte. Através das redes sociais, uma festa foi organizada para arrecadar fundos em apoio ao universitário, que começou ontem em um novo emprego.

Fiquei chocado quando soube e pensei em uma forma de conseguir dinheiro para ajudar. Disseram que ele não tinha nem lugar para morar, disse o jornalista Rafael Sandim, 21, organizador da festa.

Minas é o quarto Estado em número de homicídios

21 LGBTs assassinados em 2011 em Minas deixam o Estado no quarto lugar entre os que mais registram mortes por atos homofóbicos. Os homicídios por intolerância ainda são em maior número na Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. As estatísticas podem ser ainda maiores, já que o Grupo Gay da Bahia (GGB), entidade que realiza o levantamento anual, registra apenas casos que foram divulgados pela imprensa.

O bom relacionamento entre pais e filhos LGBTs é tido como fundamental para evitar atos de violência dentro da família, segundo Jiçara Martins, 61, integrante do grupo "Mães pela Igualdade". O grupo é composto por mães de LGBTs que oferecem apoio aos pais que descobrem a orientação das/dos filhas/os. Acho que deixar a verdade prevalecer é sempre a melhor opção. Tem casos de pais que, ao saber que o filho é gay, têm reação momentânea e explodem, mas a gente tenta ajudar, disse. Além da violência física, ela relata casos comuns de agressões verbais. Tem a violência velada, comentários, olhares. Isso pode levar uma pessoa ao suicídio, afirmou.

O maior entrave na aceitação familiar, segundo Jiçara, é o medo que os pais têm de assumir que o filho é homossexual. Tirar os pais do armário é o mais complicado.

Comentários (32)

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  • em 23-01-2012 às 23:11 Fernando
    Posso não concordar com o homossexualismo, mas não posso e nem tenho o direito em nome dos meus princípios ou da minha religião agredir, excluir, deixar de amar meu filho. Sou católico tenho dois filhos pequenos orientarei para serem homens machos, porém se escolherem ser homossexuais aceitarei tranquilamente
  • em 22-01-2012 às 18:21 Ao Pedro
    Quando sua mãe falar com vc que prefere vc morto do que ter vc como um filho gay.Fale com ela.Mãe!Idem mãe!!!Com certeza ela vai ficar chocada.
  • em 22-01-2012 às 02:12 Rosa
    Putz galera, estou abismado com os comentários de vcs. E a TOLERÂNCIA, RESPEITO, DIGNIDADE ao próximo onde fica. Aqui não vou defender nenhuma parte, mas creio q temos q estar sempre revendo nossos conceitos para não sermos tão retrogrados e assinar embaixo das atrocidades q a sociedade faz com nós gays assumidos ou não. E sobre se assumir cada um sabe a realidade onde esta inserida não vamos midificar nossas vidas, galera.
  • em 21-01-2012 às 06:55 Psicanalista
    NAO SE ASSUMAM!!!!!! Isto é particularidade de vcs, nao é preciso sair dizendo que é gay nem para familia nem para pseudo amigas. se resguardem. Uma suposta sensacao de alivio ao contar é PURA UTOPIA, atendo pessoas que se assumiram e 80% se arrependeram depois. Vcs já sofrem interiormente pra que sofrer com o preconceito do mundo externo, preconceituoso, cruel, perverso e perigoso. A homofobia baixou nos anos 00 mas de uns 4a para cá ela voltou a crescer rapidamente.
  • em 20-01-2012 às 01:46 Luciano
    A religião dessa homofóbica vadia diz que ela tem que espancar o filho? Se for evangélica, não duvido nada que esses crentes do capeta fizeram ela fazer isso.
  • em 20-01-2012 às 01:43 Luciano
    Isso é muito triste. É por isso que muitos caras sacrificam sua felicidade por causa da homofobia familiar. Namoram mulheres e se casam e vivem infelizes. Um conselho para todos os gays que têm família homofóbica: estudem bastante, trabalhem, sejam independentes e vão viver as suas vidas longe da homofobia da família.
  • em 18-01-2012 às 22:27 Alex - BH
    Quem disse que está tudo perfeito? Só disse que não dependo financeiramente da minha família, ao contrário do que foi afirmado por você. Dinheiro não é tudo; queria - SIM - ser visto com outros olhos pela minha família. Acho que meus familiares têm mais motivos para se orgulhar do que para se envergonhar de mim. TCHAU!
  • em 18-01-2012 às 19:57 ADOBHÃO/MA
    MAS TEM MESMO QUE ASSUMIR QUE SE É GAY? SÓ PRA SER MASSACRADO? PREFIRO O MASSACRE INTERIOR PESSOAL QUE O AMARGO DO DEBOCHE E DA ZOMBETICE CRUEL DOS QUE NÃO SABEM O PESO DA CARGA QUE SE CARREGA. ADMIRO, MAS NÃO ASSUMO.
  • em 18-01-2012 às 15:26 Ao Alex
    Entao pq está se fazendo de vítima se está tudo perfeito? eu hein que bessha loka bipolar, onde tudo estava desabando na vida dela, hj está tudo uma maravilha, um luxo só... ah me poupe viado, desaquenda!
  • em 18-01-2012 às 12:16 Alex - BH
    A quem respondeu o meu post, digo o seguinte: Não comente o que você não sabe, querido(a). Sempre me dei muito ao respeito, se você quer saber. Ou simplesmente ser gay é não se dar ao respeito? Se pensa assim, é melhor que caia fora deste site. Nunca reivindiquei que meus familiares apoiassem minha homossexualidade, apenas que me respeitassem. E outra: só me assumi há um ano, após me estabilizar com uma ótima carreira no serviço público. Sou eu que pago as contas da família, inclusive, e nem dividimos o mesmo teto.
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