A Cor da Fé

Hoje, 21 de janeiro, é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Saiba mais!

por Redação MundoMais

Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014

Uma forma de preservar as tradições, idiomas, conhecimentos e valores dos primeiros negros africanos escravizados trazidos para o Brasil, as religiões de matriz africana foram incorporadas à cultura brasileira e se tornaram uma importante característica da identidade nacional. Entretanto, o racismo ainda tenta impedir o culto à ancestralidade negra tornando seus adeptos vítimas recorrentes do preconceito e da intolerância.

Visando coibir outras atitudes discriminatórias e, como um ato em homenagem a Mãe Gilda, símbolo de um dos casos mais marcantes de preconceito religioso no país, em 2007 foi sancionada a Lei nº 11.635 que faz do 21 de janeiro o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data, que é celebrada por todos os praticantes das religiões de matriz africana, serve ainda como reflexão e motivação na busca pela liberdade do culto religioso e combate ao racismo.

O limite da intolerância – Em outubro de 1999 o Brasil testemunhou um dos casos mais drásticos de preconceito contra os religiosos de matriz africana. O jornal Folha Universal estampou em sua capa uma foto da Iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos – a Mãe Gilda – trajada com roupas de sacerdotisa para ilustrar uma matéria cujo título era: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A casa da Mãe Gilda foi invadida, seu marido foi agredido verbal e fisicamente, e seu Terreiro foi depredado por evangélicos. Mãe Gilda não suportou os ataques e, após enfartar, faleceu no dia 21 de janeiro de 2000.

Confira o que outras líderes religiosas falam sobre intolerância religiosa:

Mãe Jaciara – Sucessora de Mãe Gilda no Terreiro Axé Abassá de Ogum, Mãe Jaciara é taxativa quando expressa sua opinião. “O maior problema para mim como Yalorixá de um Terreiro de Candomblé é o preconceito que as pessoas tem pela história e imagem distorcida que tem a respeito ao candomblé. As pessoas relacionam a nossa religião a práticas de magias negras e cultos demoníacos. Não poderia estar mais longe da verdade."

Makota Valdina – Makota Valdina Pinto, do Terreiro Tanuri Junsara, em Salvador/BA, defende o direito à crença religiosa assegurado pelo Artigo 5º, inciso 6º da Constituição Federal. “Não podemos falar de intolerância sem relacioná-la ao racismo praticado contra as religiões afro-brasileiras”.

Mãe Beata – Filha de Exu com Iemanjá, Mãe Beata de Yemanjá é descendente de africanos escravizadose defensora da ancestralidade africana. “Quando eu observo que alguém está levando a conversa para caminho da intolerância religiosa, eu uso o respeito e vivência para derrubá-lo. Precisamos estimular a consciência de que o Brasil é uma mistura de todas as raças e religiões”.

Mãe Stella - Mãe Stella de Oxóssi, Ialorixá do terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, fundado em 1910 em São Gonçalo do Retiro-BA, afirma que sua luta é, e sempre será, pela igualdade de direitos: “Sigo esforçando-me para que a religião trazida pelo povo africano ao Brasil seja devidamente respeitada”.

Mãe JaciaraMãe Jaciara
Makota ValdinaMakota Valdina
Mãe BeataMãe Beata
Mãe StellaMãe Stella
Comentários (8)

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  • em 22-01-2014 às 10:01 Ivo Lenha
    O conflito entre evangélicos e fieis de credos de raiz africana esconde interesses financeiros. Ambos disputam o mesmo mercado. As pessoas emocionalmente frágeis, carentes dos serviços do Estado, perdidas em suas andanças, sofridas e desamparadas por um serviço público, em muitos casos, vil e relapso, encontram tanto nos templos evangélicos como nas terreiras alguém que as apoie, que lhes ofereça uma escora para seus problemas. Tudo é questão de grana. As religiões africanas também cobram por seus serviços e, em muitos casos, exploram a fragilidade e a ingenuidade da população carente quase tanto quanto as falsas religiões neopentecostais. Há muitos pais de santo decentes e honestos, como existem pastores com essas qualidades, mas proliferam aqueles que usam a fé para comprar carrões importados, morar em mansões, usar ternos de grife e fingir que são servos de Deus. Do deus dinheiro, do deus poder e do deus ascensão social, sem dúvida. Boas e justas são as religiões, inclusive evangélicas, que nada cobram pelo apoio que prestam aos que sofrem. Nesse sentido, o Espiritismo é mestre. Acorda, povo brasileiro ! Se Jesus voltasse à Terra, teria vergonha de muitos dos que se declaram seus representantes.
  • em 22-01-2014 às 07:59 LENHADOR
    SENHOR MEUS DEUS, PERDOE OS ERROS DE PORTUGUÊS, AMÉM !!!!!!!!!!
  • em 22-01-2014 às 02:17 Henrique
    Estou pouco se lixando para as religiões,são elas que trazem preconceito e intolerância aos gays,sou ateu 100%convicto COM MUITO ORGULHO!!!
  • em 21-01-2014 às 21:26 leco
    Eu ja penso que os lideres do condomblé, deve processar esses pastores que fazem campanha difamatoria sobre essa religião, afinal de contas o direito a culto esta assegurado na constituição, e me parece que esses evangelicos se sentem com todo esse direito só pra eles.
  • em 21-01-2014 às 18:18 Love
    Nao adianta, sempre havera discursao por religiao , um querendo ser melhor que outro.
  • em 21-01-2014 às 17:53 Mickey Pop Turma da Mônica
    A Cor da Fé maior numero de religioês é em Salvador-Bahia Brasil .
  • em 21-01-2014 às 16:50 Odara
    Tilerió oti kakaumló.A Deus muquendalá que no abaecê, tata me quer umbó, babalorixá xilerode!Mocuiu iaô, mocoiu no zambe.
  • em 21-01-2014 às 16:17 Ed
    Ninguem é dono da verdade,portanto respeito a todas as religiões.Shalom!!!