Governador determina apuração rigorosa em caso de transfobia no shopping em Alagoas

Lanna Hellen denunciou que foi impedida de utilizar banheiro; Polícia Civil investiga o caso.

por Redação MundoMais

Segunda-feira, 06 de Janeiro de 2020

O governador de Alagoas, Renan Filho(MDB), informou na noite deste sábado (4) que determinou uma ‘apuração rigorosa’ sobre a violência de transfobia sofrida por Lanna Hellen, que foi impedida por seguranças do Shopping Pátio de utilizar o banheiro feminino na sexta-feira (3). O shopping nega, mas diz que vai apurar o que aconteceu.

Por meio da sua conta pessoal no Twitter, Renan Filho afirmou que “a transfobia é algo que não pode ser tolerado” e que o ocorrido “fere os direitos humanos mais elementares”.

Em entrevista à TV Gazeta, Lanna Hellen ainda relatou que chegou a ser detida por policiais militares e levada para a Central de Flagrantes, onde ficou em uma cela com outros dois homens antes de ser liberada e registrar um Boletim de Ocorrência contra o shopping.

“Me colocaram em uma cela com mais dois caras, aí depois que estavam batendo o processo todo e tal, me chamaram, aí perguntei ‘vou assinar o quê?’. Aí ele falou ‘você só vai assinar desobediência’, disse.

Ela deu mais detalhes do ocorrido na noite de sexta. “Ele [segurança do shopping] bateu na porta e disse que uma cliente se sentiu incomodada de um homem estar usando o banheiro feminino. Eu sou travesti, me vejo travesti há sete anos. Perguntei pra ele porque eu não poderia usar o banheiro. E ele só respondeu que estava cumprindo ordens”.

Testemunhas que presenciaram a situação disseram que ainda tentaram acompanhar Lanna quando ela foi levada pelos seguranças do shopping, mas foram impedidas.

“Vieram dois bombeiros e um segurança do shopping e arrastaram ela. Ele saiu empurrando as pessoas e dizendo ‘você é o quê dela? Você está atrapalhando o meu serviço’. E a gente ‘não precisa tratar ela desse jeito, solta ela’, aí ele falou ‘ela não, é um macho'”, contou a autônoma Daniele Maria.

A advogada que representa Lanna Hellen, Rayanne Albuquerque, disse que é preciso reparar os danos causados pelo ocorrido. “Estaremos dando início à reparação de danos morais e de responsabilidade criminal das pessoas que cometeram o ato criminoso”.

Entendimento ratificado pela presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB-AL), Anne Caroline Fidelis.

“Não há qualquer tipo de respaldo que justifique uma conduta violenta, principalmente quando não houve uma motivação para que aquela atitude fosse tomada”, disse Anne Caroline.

Protesto no shopping

Na tarde de ontem (05), dezenas de pessoas protestaram na praça de alimentação do shopping onde aconteceu o caso de transfobia com Lanna Hellen.

De mãos dadas e com faixas e cartazes que pediam respeito às causas LGBTQI+, os manifestantes gritavam “ninguém solta a mão de ninguém”.

Leia abaixo a íntegra da nota do Shopping Pátio:

O Shopping Pátio Maceió esclarece que ontem (03), a equipe de segurança foi acionada em socorro a uma ex-funcionária transexual de uma das lojas, que subiu em uma mesa da Praça de Alimentação. A ação foi necessária para garantir a segurança da própria pessoa e dos demais clientes. Informamos também que em nenhum momento a cliente, até este fato, foi impedida de utilizar das instalações do Shopping. Em resposta aos vídeos que circulam nas redes sociais, esclarecemos que não houve registro de nenhuma pessoa impedida de usar o banheiro, apenas reclamação de clientes. Não houve agressão por parte da equipe de segurança. O Shopping Pátio Maceió segue apurando os fatos e se mantém firme no compromisso de atender com respeito e segurança a todos os seus clientes. O Shopping informa, ainda, que recebe e acolhe com respeito e empatia a todos os públicos independente de orientação sexual ou identidade de gênero e reitera que respeita os direitos assegurados no Brasil a toda comunidade LGBTI+ e que não colabora em favor de qualquer cerceamento do direito de ir e vir de todos.

Comentários (5)

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  • em 07-01-2020 às 09:34 Flávia
    Brasil: mulher machista, gay homofóbico, negro racista e pobre se acha classe média. Não vai dar certo mesmo. Solidariedade e respeito sempre.
  • em 06-01-2020 às 20:16 Juju
    Mais uma que quer fama por cinco minutos e ganhar dinheiro de indenização.
  • em 06-01-2020 às 16:55 Beto
    Complementando : e se ela fosse usar um banheiro masculino poderia ser estuprada .
  • em 06-01-2020 às 16:54 Beto
    Mal contada essa história ... ela é toda feminina ... ninguém que a olhasse dentro do banheiro a chamaria de “ homem “ .
  • em 06-01-2020 às 13:22 E a causadora do tumulto ?
    Se tranfobia existe e é realmente crime, que exijam do shopping a imagens da mulher transfóbica que causou todo o tumulto. Acho que os LGBTs deveriam começar por aí.