Ativistas oferecem auxílio para transexuais durante pandemia

Iniciativa busca oferecer um auxílio financeiro de R$ 400 reais para grupos de 30 beneficiários previamente cadastrados.

por Redação MundoMais

Terça-feira, 07 de Julho de 2020

Ativistas pelos direitos da população LGBT criaram uma organização voltada a ajudar transexuais e travestis em vulnerabilidade socioeconômica durante a crise provocada pela Covid-19. Batizada de Colettive, a iniciativa busca oferecer um auxílio financeiro de R$400 reais para grupos de 30 beneficiários previamente cadastrados. Para isso, o os organizadores criaram um perfil no site de financiamento coletivo Vakinha.

A meta atual é de R$12 mil, dos quais R$8,4 mil foram arrecadados através de 60 doações recebidas até o momento. Há uma semana, o coletivo distribuiu as primeiras 30 bolsas no mesmo valor. A renda da ação inicial foi obtida através da participação da idealizadora da ação, Lua Estabile, em um projeto da Outright – organização estadunidense de promoção dos direitos LGBTIs.

“Essa organização, sediada em Nova York, é reconhecida pela ONU [Organização das Nações Unidas] e já tinha feito a seleção para subsidiar projetos que lutam pelos direitos LGBTIs em todo o mundo. Como para nós esse dinheiro chegou em meio à pandemia, decidimos aplicá-lo oferecendo os auxílios”, explica.

Durante o mês de junho, o coletivo recebeu outros apoios que também servirão de aporte pecuniário para as pessoas cadastradas. “Por causa do mês do orgulho, muitas empresas fizeram lives e arrecadaram fundos que serão doados para nós. Vamos ter um balanço disso até a próxima semana”, comenta a coordenadora da ação.

Vulnerabilidade

Estabile conta que percebeu uma deterioração no cenário socioeconômico para pessoas trans após o início do isolamento social. “Para quem já estava vulnerável antes, a situação piora quando a crise chega. A maioria trabalha no mercado informal, é autônoma, atua no setor cultural ou na prostituição. Todos esses mercados foram muitos afetados pela Covid, mesmo que indiretamente”, comenta.

Ela explica ainda que há muitos relatos de dificuldades para acessar o auxílio socioeconômico do Governo Federal. “Algumas pessoas não conseguiram por dificuldades de acesso à informação, que é uma realidade. Para outras, o problema foi no processo de cadastro mesmo. Como pessoas trans mudam de nome, o sistema do auxílio apontou uma inconsistência no cadastro e muitas tiveram o benefício negado”, relata.

Mais de 100 inscritos

Na primeira rodada de distribuição de recursos, o Colettive divulgou um formulário do qual extraiu uma avaliação socioeconômica. “Selecionamos as pessoas cujos dados apontavam maior urgência e vamos continuar seguindo a lista de prioridades de 30 em 30, quando não houver mais pessoas, voltamos para os primeiros beneficiados”, explica.

Esse mesmo levantamento deve subsidiar um relatório sobre a situação de transexuais e travestis no Distrito Federal durante a pandemia. O estudo será publicado no fim da ação. Durante o período, a prestação de contas para os doadores será feita via redes sociais.

Funcionamento

O grupo tem 11 integrantes, seis pessoas trans que compõe a coordenação e cinco voluntários cis gênero, que auxiliam nas demandas do projeto. O contato com o público alvo é feito principalmente pelo Instagram. Além da distribuição de dinheiro, a ideia é montar também um sistema de auxílio psicossocial, jurídico e ambulatorial por meio de trabalho voluntário. Até agora, uma advogada, uma psicóloga e uma médica participam da ação. Os voluntários também auxiliam com orientações sobre atendimento médico e programas do governo a quem procura pelas redes sociais.

Quando a pandemia passar, o Colettive pretende se estabelecer como um projeto permanente oferecendo outros serviços. Estabile finaliza reafirmando o compromisso de todos os envolvidos com a comunidade LGBTI. “Todos nós temos nossos trabalhos, nossas pesquisas, não vamos ganhar nada diretamente com a ação.”

Participe

É possível contribuir com qualquer valor pela página do Colletive no site Vakinha. As doações podem ser pagas por boleto ou cartão de crédito, basta preencher um formulário disponibilizado pela plataforma.

Comentários (1)

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  • em 07-07-2020 às 20:42 Rainha
    Com este governo lixo LGBTs precisam se unir ,uma gde comunidade p se auxiliar,pois a gente ordinaria dos Direitos Humanos nao serve para nada...Vigaristas eleitos pelo povo...gado idiota...