Como a prisão de uma ativista LGBT levou milhares de pessoas para as ruas na Polônia

Em meio a ações de governo nacionalista e anti-LGBT, país prendeu ativistas e vê onda crescente de protestos.

por Redação MundoMais

Terça-feira, 11 de Agosto de 2020

A condenação a dois meses de prisão de uma ativista identificada como Margot Szutowicz fez com que milhares fossem às ruas em Varsóvia, na Polônia. Protesto foi realizado neste fim de semana diante da pandemia do novo coronavírus e exigiu a libertação da jovem, que defende direitos LGBT.

Margot foi presa por autoridades polonesas na última sexta-feira (7), após ser vista pendurando bandeiras LGBT em estátuas de personalidades religiosas pela cidade e ter danificado o carro de uma ativista anti-aborto. Na sexta, a polícia deteve outras 48 pessoas que tentavam impedir sua prisão.

No sábado (8), em frente ao Palácio da Cultura de Varsóvia, multidões gritavam “Libertem Margot!”, “O arco-íris não é um insulto!”. O protesto, que foi realizado de forma pacífica, também estendeu uma bandeira do movimento LGBT em uma estátua que fica em evidência na entrada do Palácio.

“Estamos aqui para protestar contra o fato de que essas pessoas terem sido detidas pela polícia”, disse Mateusz Wojtowicz, 24, um especialista em folha de pagamento, à Reuters. A polícia começou a libertar os manifestantes detidos no sábado, mas não Margot, que ficará detida por dois meses, disse a polícia.

Ela é membro do grupo “Stop Bzdurom”, que reivindicou autoria da ação que cobriu estátuas religiosas com a bandeira LGBT pela cidade. O grupo diz que o ato tem como objetivo chamar atenção para as ações do atual governo, que colocou gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans no centro do debate público durante a corrida eleitoral, que chegou ao seu fim no mês passado.

Andrzej Duda, que pertence ao partido de direita PiS (Lei e Justiça), foi eleito no final julho para um segundo mandato de cinco anos. Em sua campanha, ele tentou se mostrar como um “guardião” dos programas sociais do governo, mobilizando sua base conservadora e críticas ao movimento LGBT.

Nas últimas semanas de campanha, ele afirmou que a “ideologia LGBT” era mais perigosa do que a “doutrina comunista” e prometeu garantir que as escolas públicas sejam proibidas de discutir os direitos destas pessoas.

A confusão se intensificou nos protestos deste fim de semana quando grupos conservadores se encontram com os que pediam a libertação da ativista.

O protesto, que foi realizado de forma pacífica, também estendeu uma bandeira do movimento LGBT em uma estátua que fica em evidência na entrada do Palácio.

Comentários (5)

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  • em 13-08-2020 às 15:21 Felipe
    Viva a liberdade! Viva a liberdade de expressão!
  • em 13-08-2020 às 15:19 Felipe
    Cris, meu amor, se, para você, infiltrado é o sujeito que contesta a instrumentalização vil da homossexualidade alheia e não se sujeita a ser boi de frigorifico, então, anjo, com muito orgulho, sou parte desses infiltrados. E continuaremos a falar, a denunciar. A homossexualidade é linda demais e a sexualidade em geral íntima demais para serem usadas pelos outros, como plataforma de poder.
  • em 13-08-2020 às 11:19 Cris
    Claramente, existem infiltrados no "site" para contestar os direitos gays. Porém, possivelmente, devem dar uma olhadinha no que lhes interessa aqui também, pois a maioria arrasadora das vezes são os enrustidos e mal resolvidos de plantão. Viva a Reuters, viva Freud!!
  • em 13-08-2020 às 01:36 Felipe
    A Reuters mente e MM compra esse enlatado e divulga. Ninguém é contra gays na Polônia. O que o governo não quer é a transformação da homossexualidade das pessoas em tema ideológico, algo abominável. Lave a boca todo aquele que desejar ensinar ao povo polonês o que é liberdade e o que é ditadura. O gayzismo é uma tentativa de ditadura, contra a qual a maioria do povo polonês se insurge.
  • em 11-08-2020 às 13:37 Lipe
    Essa associação entre a luta LGBTQQICAPF2K+ e o aborto é que me faz ficar do outro lado.