Segurança vai responder por injúria racial por expulsar trans de banheiro feminino

Um ano depois, Lanna Hellen finalmente comemora a decisão do juiz Thiago Augusto Lopes de Morais, da 14ª Vara Criminal de Maceió.

por Redação MundoMais

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2021

O segurança de um shopping na parte alta de Maceió vai responder penalmente por crime de injúria racial em um caso registrado no início de 2020, quando uma mulher trans teria sido expulsa do banheiro feminino do centro de compras. Lanna Helen protestou pelo tratamento que ela classificou como humilhante, e tudo foi parar nas redes sociais, ganhando a mídia nacional. A pena, se condenado, é de reclusão de 1 a três anos e multa.

A denúncia do Ministério Público foi recebida pela 14ª vara criminal da capital, que determinou diligências, e deu prazo de 10 das para o denunciado, José Rui de Gois, responder por escrito às acusações.

“Verifico que a denúncia contém a descrição dos fatos criminosos imputados ao acusado, com a pontuação de provas da materialidade e de indícios contundentes de autoria em desfavor deste. Assim, RECEBO a DENÚNCIA ofertada pelo Ministério Público em todos os seus termos, ao tempo em que DETERMINO que a Secretaria deste Juízo adote os seguintes atos processuais, diligências e/ou sistemática processual: 1. Evolua a classe do procedimento para Ação Penal...”, afirma o juiz Thiago Augusto Lopes de Morais.

Em seu depoimento, confirmado por mais de uma testemunha ouvida no inquérito, a vítima contou que se sentiu discriminada, "então resolveu filmar a situação com o telefone. Em atitude de protesto, foi à praça de alimentação e, em seguida, foi contida pelos seguranças e bombeiros civis”, disse Lanna.

“Pouco tempo depois de ser contida e levada para um local de acesso restrito de pessoas, chegou uma viatura da Polícia Militar. Ao ser perguntada pelos policiais sobre seu nome, ela então indicou que seria Lanna Hellen, quando o policial perguntou-a como estava o nome nos documentos. Mais uma vez ela disse que o nome era Lanna Hellen. Após isso, foi informada que estava presa por desacato e desobediência, sendo colocada na viatura e levada à delegacia, onde ficou numa cela junto com outro preso”, relatou ela, segundo descrição do depoimento.

Segurança nega

Já o denunciado nega as acusações. Em depoimento, José Rui diz que Lanna teria saído do banheiro feminino alterada, e que teria sido informado que ela teria ido ao salão de beleza em que trabalhou e feito ameaças para receber um dinheiro que lhe era devido.

Ouvida, a proprietária do salão de beleza desmente a versão. “A proprietária do salão de beleza "'Espaço da Beleza', confirma que a vítima foi sua funcionária no período da BlackFriday de 2019. Quanto a algum desentendimento que possa ter havido, a testemunha nega e afirma que ‘Lanna se comportava de maneira ímpar, ilibada, em seu salão de beleza", além disso "era uma boa profissional, educada e tratava bem a todas as pessoas que frequentavam o salão de beleza”, diz a transcrição do depoimento.

A reportagem não conseguiu contato com o denunciado nem com o advogado dele para comentar a decisão, ficando aberto o espaço para defesa.

Comentários (9)

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  • em 14-01-2021 às 22:17 Felipe
    E eu entendo você, Daniela. Fui discriminado na escola, por ser efeminado. Sofri cada pedaço dessa minha homossexualidade, da qual hoje tanto me orgulho. Beijo. Fique bem.
  • em 14-01-2021 às 21:49 Daniela
    Filipe meu querido não Presizo de bandeira política,só saindo na rua já sou militante Ativista pois sou um corpo Trans!
  • em 14-01-2021 às 17:13 Felipe
    Ah, entendi: no primeiro comentário, falei "esse" transexual. Gente, pelo amor de Deus... Mas, vamos lá. Vamos entrar na guerra semântica proposta pela Daniela. Primeiro que o "esse", no caso aí, pode ser uma referência a "esse ser humano". Na verdade, foi um mero erro de digitação, todavia. Tenho pelos menos umas dez grandes amigas transexuais. Trato a todas elas pelo feminino, com a maior naturalidade do mundo. Sou chamado de bi até por meus amigos heterossexuais. Daniela, nada disso é problema pra mim, tanto que sigo nos demais comentários me referindo à moça da matéria sempre no feminino, chamando-a de "ela" e "senhora". Querida, como disse anteriormente, dignifique-se. Não deixe que sua sexualidade se transforme em objeto de bandeira política. seja feliz. beijo
  • em 14-01-2021 às 16:59 Felipe
    Não alimente ódio, Daniela. Dignifique-se, linda. Na situação a que você se refere, Damares, em ambiente absolutamente privado e sem nenhuma relação pública, descrevia episódio em que padeceu vítima de violência sexual, quando era adolescente. Quem riu dela naquela ocasião se arrependeu enormemente, porque, ao mesmo tempo, riu de todas as crianças que passaram por essa experiência terrível. Homossexuais, transexuais, heterossexuais. Somos todos merecedores de respeito e dignidade, inclusive o rapaz denunciado, a quem, inclusive por força constitucional, deve ser assegurada a presunção de inocência (CF, 5°, LVII). Por fim, queridíssima, não queira extrair de meus comentários palavras que não disse, preconceitos que não pratiquei. No mais, sorte. Sorte e sucesso! Beijo, lindona.
  • em 14-01-2021 às 07:41 Daniela
    Sou travesti tenho prótese e tenho silicone e já fiz minha retificação em cartório.se um gay como vcs me chamar de ele como esse tal de Felipe chama de ele a travesti do incidente eu processo na hora.e só pra deixar claro,vc está em um site de putaria então sem falso moralismo.e Damares essa velha loka que viu Jesus no pé de goiaba não faz nada nem por mim nem por minhas amigas! Sem mais.
  • em 14-01-2021 às 02:20 Felipe
    Por último e pelo que entendi, apesar da enorme gritaria que ela faz no vídeo, o juiz aceitou a denúncia. Gente, isso está longe de significar condenação. O rapaz, que seria o denunciado, terá agora toda oportunidade de oferecer defesa. Condenado, poderá recorrer. desconheço as circunstâncias do fato e mesmo os artigos em que teria incidido e sobre os quais se amparou o MP para oferecer denúncia, mas uma coisa é possível garantir: se a trans sofre discriminação, e sofre, ele, presumivelmente pobre, também sofre. Quando os identitários passarão a ter bom senso?
  • em 14-01-2021 às 02:14 Felipe
    Mas tenho uma péssima notícia para essa senhora: Damares, sem encher as burras de meia dúzia de ONGs, como fazia o PT, está a promover a maior inclusão já vista de transexuais no mercado de trabalho. Noutras palavras, bem: a agenda esquerdista de vocês, lamento muito, foi esvaziada.
  • em 14-01-2021 às 02:11 Felipe
    Enquanto um segurança, possivelmente miscigenado e mais pobre do que esse transexual, é processado, George Soros sorri. As Big Techs sorriem. A Ditadura Chinesa sorri. Os bois brasileiros estão a debater agenda identitária. Viva!
  • em 13-01-2021 às 10:22 rs
    justiça sempre