EUA: Escola católica terá de indenizar professor demitido por ser gay

Em 2014, após anunciar seu casamento, Lonnie Billard foi dispensado da Charlotte Catholic High School, na Carolina do Norte.

por Redação MundoMais

Quinta-feira, 09 de Setembro de 2021

O juiz Max Cogburn Jr., do tribunal distrital da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, decidiu em favor de um professor substituto gay que foi injustamente dispensado de um colégio católico da cidade de Charlotte após compartilhar no Facebook em 2014 seus planos de se casar com o companheiro de longa data.

Segundo o jornal britânico The Independent, Lonnie Billard, de 69 anos, foi demitido do cargo de professor de teatro e inglês na Charlotte Catholic High School após divulgar o casamento gay na rede social. Semanas depois de postar a notícia, ele foi informado de que estava sendo despedido. O processo judicial contra o colégio teve início em 2017.

Billard começou a trabalhar na escola em tempo integral em 2001, mas se aposentou em 2012, justamente quando foi eleito “Professor do Ano”, de acordo com o periódico. Após sua aposentadoria, o americano fez a transição para a função de substituto no colégio católico.

De acordo com o The Independent, Lonnie Billard nunca escondeu sua sexualidade, já que seu parceiro compareceu a eventos escolares e conheceu membros da equipe. O anúncio do casamento com Richard Donham no Facebook, em outubro de 2014, veio depois que a Carolina do Norte permitiu a união entre pessoas do mesmo sexo.

O juiz Max Cogburn Jr. decidiu que o colégio e a arquidiocese de Charlotte violaram as leis por discriminação sexual no local de trabalho ao despedir o professor por ser gay, citando o Capítulo VII da Lei dos Direitos Civis dos EUA.

Ele concedeu salários atrasados, benefícios trabalhistas, indenização por desgaste emocional e a proibição de fazer o mesmo novamente.

“Depois de todo esse tempo, tenho a sensação de alívio e de vingança. Gostaria de ter continuado ensinando todo esse tempo”, comenta Billard, citado pelo jornal britânico.

Funcionários da arquidiocese, também citados pelo The Independent, responderam à decisão, dizendo que eles “discordam respeitosamente […] e estão avaliando os próximos passos”.

“A primeira emenda, a lei federal e as decisões recentes da suprema corte reconhecem os direitos das organizações religiosas de tomar decisões de emprego com base na observância e preferência religiosas. Eles não obrigam e nem devem obrigar as escolas religiosas a empregar professores que contrariem publicamente seus ensinamentos”, afirmam os representantes da Igreja Católica de Charlotte, segundom o periódico.

Os réus argumentaram no processo que o Lonnie Billard não foi despedido “por ser gay”, mas por “defender” crenças que iam contra as da igreja ao anunciar que iria se casar com um homem.

O juiz Cogburn Jr decidiu que eles violaram as leis trabalhistas e não estavam protegidos por isenções de liberdade religiosa na sentença divulgada no dia 3 de setembro.

“O requerente [Billard] é um funcionário leigo que vem para o campus de uma escola religiosa com o propósito limitado de dar aulas seculares, sem mandato para ensinar os ensinamentos católicos aos alunos”, escreve o magistrado na decisão citada pelo The Independent.

Comentários (3)

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  • em 13-09-2021 às 22:39 Tos
    O professor não estava fazendo apologia ao casamento gay para os alunos. O fato de ele se casar com um homem é algo que pertence à sua vida particular. Será que se um professor hétero se divorciar, também vai ser mandado embora? Pois o divórcio é contra a doutrina católica. Fui seminarista e o que mais há na igreja católica são padres homossexuais com vida sexual ativa. Se fossem expulsar todos os padres gays, a igreja teria sérios problemas para ocupar as vagas.
  • em 10-09-2021 às 16:17 Cris
    Parabéns à Justiça da Carolina do Norte! Nao existe essa de ideologia religiosa em teatro! O teatro é uma livre expressão artística de diálogo com a realidade.
  • em 09-09-2021 às 19:41 Lenny
    Discordo da decisão do juiz. Se é uma escola católica, fica explícita a ideia de que dogmas católicos sejam prioridade e a Igreja não aceita casamento entre pessoas do mesmo sexo. Parece tão óbvio. No entanto, o juiz quer, claro, ferir a escola com uma atitude que tenta deslegitimar sua ideologia. Qual o próximo passo, desobrigar que haja imagens cristãs em um colégio católico? Ah sim, já fizeram isso!