Madalena, filme brasileiro contra transfobia, compete no Festival de San Sebastián

Longa de Madiano Marcheti narra desaparecimento de transexual em região conservadora do país. Roteiro tem reações de quem a conhece: da indiferença até a presunção de que está morta.

por Redação MundoMais

Sexta-feira, 24 de Setembro de 2021

Cena de 'Madalena', um filme do diretor brasileiro Madiano Marcheti.

"Madalena", do diretor brasileiro Madiano Marcheti, é um filme contra a transfobia e entrou nesta semana na disputa pelo prêmio de melhor produção latino-americana no Festival de Cinema de San Sebastián. A cerimônia de premiação é no sábado (25).

O filme narra a história do desaparecimento da transexual Madalena, em uma região conservadora do país. A partir disso, o roteiro mostra as reações das pessoas que a conhecem, que vão desde a indiferença até a presunção de que ela está morta, por esta ser uma "hipótese natural" para as pessoas transexuais, explica Marcheti.

"Infelizmente, a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos e, para essas pessoas, acaba sendo uma hipótese natural: se desaparecem é porque podem ter sido assassinadas", diz o diretor em entrevista à agência France Presse.

Além disso, "Madalena" também é uma história que ele precisava contar:

"Queria falar sobre meu lugar de origem no Brasil, o Estado do Mato Grosso, região muito conhecida e importante no país pelo agronegócio. Queria falar sobre os impactos do agronegócio na natureza e na vida das pessoas."

"Por outro lado, também quis falar sobre as minhas experiências. Cresci nessa região muito conservadora, cresci sendo gay e foi difícil, me sentia parte e, ao mesmo tempo, não me sentia parte desse lugar, então quis falar dessa sensação", destaca.

Ele também buscou chamar a atenção para "a transfobia porque, na população LGBTQIA+, as pessoas trans são as que mais sofrem violência".

No Festival de San Sebastián, "Madalena" compete na seção Horizontes de cinema latino-americano com outras nove produções ou co-produções da Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá e Uruguai.

Comentários (8)

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  • em 27-09-2021 às 13:24 Miucha
    O dinheiro público é pra bancar a quarentena do ministro da saude num hotel de luxo em Nova York. Cultura pra que? Vacina ora que? Nojo de viado bolsominio. Nojo. Te valoriza mona !!!
  • em 25-09-2021 às 00:24 Crente Conservador Bolsonarista
    Desde que não usem dinheiro público pra fazer o filme ....por mim tudo bem.
  • em 24-09-2021 às 17:48 Paulo
    Pra aumentar o preconceito ainda temos homofobicos no poder
  • em 24-09-2021 às 13:35 Netto
    Só queria saber por onde anda mesmo o respeito pelo ser humano.
  • em 24-09-2021 às 13:33 Netto
    Nós como uma parte da sociedade temos que lutar por sermos reconhecidos e termos nossos direitos reconhecidos.
  • em 24-09-2021 às 13:32 Netto
    Ser calado diariamente.
  • em 24-09-2021 às 13:31 Netto
    Não ter seus direitos.
  • em 24-09-2021 às 13:30 Netto.
    Ser invisível.