Livro novo "Contra a moral e os bons costumes" fala de grupos LGBTS na ditadura

Lançado pela Companhia das Letras, o livro relata como este grupo foi tratado neste período e quais eram suas pautas.

por Redação MundoMais

Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021

O livro "Contra a moral e os bons costumes" foi Lançado este mês pela Companhia das Letras. Sua autoria é do advogado e professor da Unifesp, Renan Quinalha, fruto de sua pesquisa de doutorado na USP e do trabalho na Comissão da Verdade, instaurada em 2011 para apurar as violações de direitos humanos praticadas entre 1964 e 1985, período da ditadura militar.

Além de detalhar como se deu a repressão desses grupos pelo Estado na época, abordando episódios de tortura e perseguição às pessoas LGBTQIA+ em cargos públicos, prisões, fechamento de pontos de encontro da comunidade, censura a obras de arte e a veículos de imprensa, o livro conta como o movimento não apenas sobreviveu à perseguição como ganhou cada vez mais força nas décadas seguintes, conquistando direitos e visibilidade.

Dos guetos ao Lampião da Esquina

Segundo Quinalha, a repressão aos grupos LGBTQIA+ na ditadura era diferente daquela praticada contra outros setores, como a luta armada. "A ditadura buscava dessexualizar o espaço público, tirar essas pessoas de lugares de visibilidade na cidade para colocá-las em guetos. A ideia era que elas não pudessem ocupar esse espaço, se fazer ver e, portanto, reivindicar seus direitos", diz.

Em meio a um movimento por liberação sexual que vinha crescendo desde as décadas anteriores, a ditadura foi marcada por um conservadorismo moral que buscava travar essas transformações culturais. Quinalha lembra que, com o respaldo de setores da população que apoiaram o golpe, o regime atuou para reforçar um tipo de padrão de gênero e sexualidade e um modelo de família ideal: patriarcal e heteronormativa.

No fim da década de 1970, já durante a abertura, porém, a emergência do movimento LGBTQIA+ brasileiro não pôde mais ser contida. Em 1978, em São Paulo, surge o grupo pioneiro Somos, e, no mesmo ano, o jornal "Lampião da Esquina", referências importantes do movimento às quais o livro dedica dois de seus capítulos.

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Comentários (13)

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  • em 28-09-2021 às 21:39 Felipe
    Beijo, Rennan. Menos ódio, Cristina. Falemos de política, bi, mas sem histerias, lindona!
  • em 28-09-2021 às 20:53 Cristina
    Vão militar/Lacrar lá na casa do caraio seus hipócritas!!!
  • em 28-09-2021 às 19:40 Rennan.
    Felipe, eu tenho essas informações . Mas se tem pessoas que se sentem ofendidas, eu prefiro evitar as ditas expressões sem entrar tanto nesse mérito que você citou.... Concordo com tudo que você disse a respeito dessa quadrilha disfarçada de políticos "progressistas e perseguidos de esquerda"! Claro, em muitos casos houve sim, crimes e excessos cometidos no período militar. Isso eh incontestável ....
  • em 28-09-2021 às 19:27 Felipe
    Sobre o período militar e a comissão da verdade que Dilma criou para enriquecer seus companehiros, leiam o texto abaixo.
  • em 28-09-2021 às 19:23 Felipe
    JAMAIS estavam a se referir a um determinado tom da pele de determinado grupo humano. Deixem de ser caipiras, pelo amor de Deus.
  • em 28-09-2021 às 19:20 Felipe
    Essa história de entender expressões como "período negro", "época negra" etc. como difusores de racismo é de uma burrice e de um reducionismo histórico aviltantes. Gente, não sei se vocês sabem que o mundo existiu antes da escravidão no Brasil. Não sei se sabem que escravidão, lá na Europa, na Ásia e na própria África, NUNCA esteve ligada à cor da pele, tanto que a palavra escravo provém de eslavo, ou seja, gente de pele claríssima. E expressões "poço negro", "fundo negro" remetiam sempre à ideia de breu, de escuridão, JAMAIS estavam a se referir a um determinado tom de determinado grupo humano. Deixem de ser caipiras, pelo amor de Deus.
  • em 28-09-2021 às 16:18 Diferente
    Eu também odeio a militância lacração que não militar a favor de nada além de likes e fama. Mas com relação a todos virem de famílias tradicionais, isso está mudando a algum tempo já. Tive a sorte de ser criado por duas mães que amo muito, depois de ter sido abandonado por uma família "tradicional". Se não fossem elas teria passado de abrigo em abrigo, até por fim ter sido jogado nas ruas a própria sorte, como tantos que conheci
  • em 28-09-2021 às 07:49 Rennan
    Imagina Olegário! Eu eh peço desculpas. Só pela sua postagem, já dá pra ver que você não me disse o que disse somente por "lacração" . Você falou a verdade que hoje em dia eh essencial: o cuidado com o que falamos/ postamos. Obrigado pelo elogio e voce também eh muito inteligente e vacina de tudo, muito humano. Toda sorte e sucesso ...
  • em 28-09-2021 às 03:05 Olegário
    Rennan, gostei muito da sua postura. Vc é inteligente e muito educado. Peço desculpas se exagerei no comentário, um abraço.
  • em 27-09-2021 às 23:56 Rennan.
    Olegário, eu concordo com você a respeito da militância "lavradora". Só pra deixar vem claro, eu não sou militante gay. Eu sigo o meu caminho individual. isso que você disse de se sentir ofendido por eu ter usado a palavra "negra" ligando a coisas ruins foi um meio de expressar errado, mas por força do hábito a gente ainda acaba usando. Aos poucos, a gente vai adequando o nosso linguajar aí modo correto . Si pra deixar claro que discriminação étnica/racial eu não tenho nenhuma. Porque se tivesse eu não teria amigos e relacionamentos com pessoas de todas as etnias. E que todos viemos de famílias tradicionais eh claro, mas hoje em dia não existem somente as famílias "tradicionais"...
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