Em Um Homem Só, escritor reflete sobre o envelhecimento e solidão do homem gay

Clássico da literatura moderna, “Um Homem Só”, de Christopher Isherwood, é um romance de 1964 que aborda a temática LGBTQIA+.

por Redação MundoMais

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2021

Lançado originalmente em 1964, o livro “Um Homem Só” será publicado com nova tradução no próximo dia 19 de outubro, pela Companhia das Letras. Na época, o título abalou diversos leitores, que não estavam acostumados com uma linguagem explícita que retratasse a temática LGBTQI+. O livro aborda a mente e trajetória de George, professor de inglês de meia-idade, que tenta recomeçar após a trágica morte do jovem parceiro. Isherwood escreveu outras obras igualmente celebradas, como “Adeus a Berlim”, que inspirou o roteiro de “Cabaret”, filme musical de 1972 estrelado por Liza Minnelli.

De acordo com o escritor brasileiro João Silvério Trevisan, que escreveu o posfácio da edição, o autor Christopher Isherwood constrói um personagem, abertamente homossexual, que se mescla com seu tempo e cultura. "Ele faz isso por meio desse inusitado protagonista. A maneira franca e resoluta com que aborda a homossexualidade funciona como uma lente para olhar o mundo a partir de um ponto de vista privilegiado: a sexualidade marginalizada que George habita”, diz. Na obra, Trevisan relata que Isherwood foi extremamente envolvido nas causas dos direitos LGBTQIA+, ainda na década de 1960. Dessa forma, o autor naturalizado norte-americano discutia publicamente e de forma clara sobre os próprios relacionamentos com outros homens em livros, palestras, artigos e programas de TV.

Para Débora Landsberg, responsável por traduzir “Um Homem Só” no Brasil, o processo de elaboração foi um desafio, devido às mudanças gramaticais entre o inglês e português. Além disso, nas primeiras páginas, o personagem não se identifica como “he” (ele) ou (ela), mas sim como “it” (isto). “Como não temos um pronome que transmita exatamente o que é esse “it”, não usei o pronome reto até que o personagem se identificasse como “ele”. O livro todo é permeado por um humor ácido e uma melancolia que também foram desafiadores. No entanto, o que mais me chamou a atenção durante o processo de tradução foi a precisão do Isherwood: o livro não tem nem uma palavra sequer a mais ou a menos do que deveria ter. Fiz questão de tentar ser igualmente precisa na tradução”, comenta.

Débora ainda discorre que são diversos temas existenciais discutidos em “Um Homem Só”. A obra é permeada pela dor causada pelo luto, bem como pelas dificuldades enfrentadas pelo protagonista, que deve lidar com o preconceito e tradicionalismo do período. “O livro cobre apenas um dia na vida de um professor universitário, mas são muitos os temas abordados: o amor cotidiano, o desejo, o sexo, a velhice, o luto, o moralismo, a literatura, as contradições que todo mundo tem. E, sem dúvida, o fato de ser um romance primoroso cujo personagem principal é um gay que acaba de perder o companheiro o torna um clássico contemporâneo da literatura LGBTQ+”, explica.

Christopher Isherwood nasceu na Inglaterra, mas mudou-se para os Estados Unidos em 1939. Em outubro de 1952, em Los Angeles, conheceu Don Bachardy, homem que se tornaria seu parceiro pelos próximos 34 anos. Os dois nunca esconderam que viviam em um relacionamento amoroso e por isso foram duramente perseguidos. “Um Homem Só”, foi escrito durante um tempo em que Isherwood e Bachardy estavam separados.

O escritor também foi figura constante em “Gay Sunshine”, jornal que surgiu nos anos de 1960 nos Estados Unidos, feito para o público homossexual. Em uma entrevista de 1973, ele deu uma declaração sobre a sua visão pessoal acerca de relações afetivas.

“No amor, tem que haver a necessidade de se preocupar o tempo todo. O amor não é uma apólice de seguro. Amor é tensão. O que eu valorizo num relacionamento amoroso é a contínua tensão, no sentido de nunca se iludir que a gente vai entender a outra pessoa”, finaliza.

Comentários (6)

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  • em 16-10-2021 às 10:35 Para Tony V.
    Verdade!
  • em 16-10-2021 às 07:46 Tony V.
    Livro sem dúvida instigante é interessante! Não o conhecia mas já vou reservar o meu. Quanto ao preconceito etário, ele se dá não se somente entre os gays mas em toda a sociedade. O idoso só interessa quando consome ou não aparenta a idade que tem…
  • em 15-10-2021 às 09:21 Para falsa crente
    Mais um print....kkkkkkkkkkk.
  • em 15-10-2021 às 08:55 Crente Conservador Bolsonarista
    Homem tem que casar cedo fazer família pra não ficar na boca do povo. Meu filho tem 13 anos e eu já falei que com 20 ele já tem que ter 2 ou três filhos pra mostrar que é macho. Senão o povo na rua começa a falar que ele é desviado.
  • em 14-10-2021 às 05:10 Coerencia
    Ia comentar a mesma coisa de Florinda, mas acrescento ainda que as lgbtqxyz@ novas vivem militando em internet, mas só se aproximam das gay veia por interese, depois ficam usando palavras depreciativas para se referir aos mais velhos que aliás pra o mundo gay velho já é a cima de 35
  • em 13-10-2021 às 19:12 Florinda do 14
    A maioria dos gays, quando jovens, a maioria só quer saber de pegar todos, e fodace o amanha, infelizmente! Dai quando se dao conta estao velhas e solitarias! As bixa veia rica, ainda podem pagar um maxo de programa, já as bixa veia pobre, na maioria das vezes so resta a velha e antiga punheta, isso se a merma já num tiver broxa! Eu sou casado ha 14 anos, e não mim arrependo de nada, muitos na epoca falavam...............Vc e muito nova mona, vai curtir a vida..............E eu lucida respondia.........Nao minhas fia, to no caminho correto! Algumas dessas bixas ja tem mais de 40 anos, e ja sentem na pele o amargo sabor da solidao, infelizmente! Em fim...............Boa noite.