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Âncora se desculpa com casal lésbico após pergunta imprópria

Susanna Reid vira exemplo da dificuldade de comunicadores de TV e do público em geral em lidar com questões LGBTQIA+.

por Redação MundoMais

Quarta-feira, 10 de Novembro de 2021

A apresentadora Susanna Reid, do ‘Good Morning Britain’, do canal britânico ITV, entrevistava um casal de mulheres em busca de financiamento do sistema público de saúde para conseguir fertilização e ter um bebê, quando fez uma pergunta inadequada.

“Quem quer ser mãe, quem será a mãe?”, questionou. A âncora deu a entender que só se tornaria mãe aquela que carregasse o feto no ventre. Megan e Whitney Bacon-Evans ficaram surpresas. “Bem, nós duas queremos ser mães”, respondeu uma delas.

Imediatamente, Susana percebeu o erro em sua colocação. “Desculpe, é claro que vocês duas querem ser mamães, claro que vocês duas serão mamães”, corrigiu-se. “Peço desculpas por essa insensibilidade.”

O casal de lésbicas riu da gafe. “Quem vai carregar o bebê (na barriga)?”, reformulou a jornalista. E a conversa continuou. Esse episódio repercutido na imprensa europeia reflete a dificuldade que as pessoas em geral têm de falar sobre os LGBTQIA+.

Susanna Reid, obviamente, não foi homofóbica nem quis desrespeitar as entrevistadas. Ela apenas falou por impulso, manifestando um pensamento não incomum, o de que mãe é aquela que gera e dá à luz.

Os comunicadores ainda pisam em ovos ao abordar as temáticas da diversidade sexual. Buscam uma linguagem politicamente correta enquanto temem o cancelamento por eventuais equívocos ao comentar sobre homossexuais, transexuais, não-binários etc.

Muitas vezes, infelizmente, membros da comunidade LGBTQIA+ fazem o julgamento sumário de quem erra, sem considerar o contexto e o histórico do profissional. É necessário ter bom senso para evitar radicalismos.

No Brasil, um momento de desinformação aconteceu com Luciano Huck no quadro ‘Quem Quer Ser um Milionário’, do ‘Caldeirão’. Ao interagir com um professor de inglês transexual, o apresentador se atrapalhou.

“Meu irmão também é gay e a gente aprende muito todos os dias”, disse, querendo ser simpático e inclusivo. Acontece que o professor não havia se identificado como gay, aliás, namorava uma mulher, o que faria dele um homem trans heterossexual.

Essa confusão entre identidade de gênero e orientação sexual é comum a quem não compreende bem as entrelinhas da sigla LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, queers, intersexuais, assexuais e outros).

Já na situação em que um jornalista age intencionalmente com preconceito, merece repreensão exemplar. Por exemplo, quando diante de um casal formado por homens, questiona “quem é a mulher da relação”. Escárnio incabível.

Comentários (2)

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  • em 15-11-2021 às 11:53 Pcramos
    Concordo com o Manuel. Nossas pautas existem e estão aí faz décadas e é completamente descabido que ainda exista profissionais da informação (?) desinformados quanto a isso. Toda entrevista se baseia numa pesquisa prévia e o mínimo de cuidado na condução da conversa evitaria esse desconforto. Não precisa cancelar ninguém por conta disso, mas já deu essa história de continuarem repetindo esses "erros".
  • em 10-11-2021 às 17:48 Manuel
    Profissionais que trabalham com o público e para um público gigantesco como ocorre em televisão deveriam primeiramente buscar conhecimento sobre a diversidade de gênero e sexualidade que existe em nossa sociedade. Um erro comum hj em dia é achar que essas pautas surgiram a alguns meses atrás e por isso nós lgbtqia+ deveríamos ser mais compreensivos com "quem não sabe ainda", mas na realidade já fazem décadas que essas pautas são abordadas e as pessoas precisam buscar conhecimento antes de falas preconceituosas como essa. Isso também não quer dizer que deveria haver linchamento virtual dessas pessoas mas não existe espaço pra culpabilizar a nossa comunidade por ouvir esse tipo de coisa sempre e não aguentar ficar mais calado. E achar que lgbtfobia só existe quando há intenção em machucar o outro é um retrocesso terrível.