Sem-teto dizem ser alvo de homofobia durante censo em São Paulo

Recenseador perguntaria 'se é veado ou se gosta de mulher'; secretaria diz desconhecer agressão.

por Redação MundoMais

Segunda-feira, 06 de Dezembro de 2021

Moradores de rua relataram terem sido alvo de homofobia praticada por integrantes das equipes de abordagem para a atualização da quantidade de pessoas que vivem nas ruas da capital paulista atualmente.

De acordo com Robson Mendonça, presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, há relatos de tratamento ríspido por parte dos recenseadores ao perguntarem sobre a orientação sexual das pessoas abordadas em barracas e colchões nas calçadas.

"Perguntam se é veado ou se gosta de mulher", diz Mendonça. "Com isso, muitos têm-se recusado a participar da pesquisa", continua.

Em nota, a Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), responsável pelo contrato, afirmou desconhecer o caso de agressão e ressaltou estar em contato com a empresa responsável para tomar medidas cabíveis diante de qualquer indício de irregularidade ou inadequação.

"Discriminação, preconceito e homofobia constituem práticas criminosas que devem ser denunciadas, investigadas, punidas e banidas em definitivo", ressaltou a pasta em nota.

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania também se pronunciou e afirmou rechaçar qualquer ato discriminatório contra a população vulnerável. "Um total de 1.332 servidores de diversas pastas já participaram das ações de sensibilização", informou a secretaria sobre o tratamento dado à população LGBTQIA+.

De acordo com o censo de moradores de rua divulgado pela administração municipal em 2020, o mais recente, 4,6% se declararam homossexuais e 3,4%, bissexuais. Os percentuais representam cerca de 974 e 730 pessoas, respectivamente. Na ocasião, a prefeitura divulgou que a cidade tem 24.344 moradores de rua.

Em relação à identidade de gênero, 1,5% das pessoas se declararam mulheres transexuais, 0,9%, travestis, e 0,5%, homens trans.

A orientação sexual é um dos principais motivos que levam pessoas a deixarem suas famílias para morar na rua por causa do preconceito de parentes.

Previsto para ser entregue até o fim de janeiro, o novo censo da população de rua foi antecipado por causa do agravamento da pandemia, que tem espalhado a miséria pela mais rica cidade do país. Se não fosse a pandemia, o próximo censo seria realizado em 2023, quatro anos depois do último levantamento, referente a 2019.

O contrato com a empresa Qualitest Ciência e Tecnologia Ltda. foi assinado em setembro por R$ 1,7 milhão e previa a entrega de um relatório preliminar com a análise dos dados para o último dia 24, o que não foi feito, assim como a entrega do relatório completo, prevista para o último dia 29.

Em nota, a Smads afirmou que o cronograma de entrega está dentro dos prazos contratuais, "que sofreram alterações somente pontuais, exclusivamente em razão do calendário de feriados e do início da temporada de chuvas na cidade".

Segundo relatório enviado pela empresa à Smads em 9 de novembro, as equipes de abordagem relataram uma série de dificuldades para abordar os sem-teto, o que pode comprometer a dimensão real de quantas pessoas vivem nas ruas da capital atualmente.

De acordo com o documento obtido com exclusividade pela reportagem, os pesquisadores enfrentaram situações de risco em áreas onde há concentração de usuários de drogas e até dificuldade em acessar barracas em trilhas no matagal.

Comentários (2)
  • em 07-12-2021 às 12:46 Valério
    Discunjuro!
  • em 06-12-2021 às 16:15 Felipe
    O preconceito não é do recenseador. O preconceito é de uma esquerdopatia que dorme entre lençóis quentinhos, enquanto estimula a cubanização do centro de São Paulo e outras capitais. O preconceito passa muito longe de um mimimi de veado ou não veado. O preconceito passa por nós, por mim, por você, que fechamos os olhos aos zumbis que andam pela Cracolândia, enquanto traficantes do mais alto grau de banditismo os mantêm como escravos, viciados em crack. É lógico que nem todos que ocupam as ruas são dependentes químicos. Há uma gama de situações e razões envolvidas. Mas a maioria é, sim, vítima do crack, de falsos filantropos, de esquerdopatas.