Copa do Mundo do Catar vetará bandeiras LGBTQIA+: ‘É para proteger torcedores’

Os organizadores também disseram que ‘atos políticos’ não serão permitidos nos estádios do Mundial do Catar.

por Redação MundoMais

Segunda-feira, 11 de Abril de 2022

Os organizadores da Copa do Mundo de 2022, que será realizada no Catar entre novembro e dezembro deste ano, avisaram que serão barradas nas arquibancadas as bandeiras do arco-íris, que representam o movimento dos direitos LGBTQIA+. Segundo dos dirigentes do comitê organizador, a medida visa “proteger os torcedores”, já que o país-sede tem leis que criminalizam a homossexualidade – apesar disso, casais do mesmo sexo poderão acompanhar o torneio da Fifa. “Se um torcedor levantar uma bandeira do arco-íris e eu tirá-la de sua mão, não será porque eu quero ou porque estou insultando-o. Será para protegê-lo”, disse Al Ansari, um dos principais responsáveis pela segurança da Copa do Mundo, em entrevista à AP. “Porque se eu não fizer isso, alguém poderá atacá-lo… Não posso garantir o bom comportamento de todos. E vou dizer ao torcedor: ‘Por favor, não é necessário levantar a bandeira neste local’”.

O dirigente também disse que “atos políticos” não serão permitidos nos estádios da Copa. “Percebemos que este torcedor comprou o ingresso para vir aqui assistir ao jogo, não para fazer uma demonstração ou um ato político ou qualquer coisa que esteja em sua mente”, declarou. “Assista ao jogo. Isso é legal. Mas não venha aqui insultar toda a nossa sociedade por isso”. As declarações de Al Ansari, desta forma, contrastam com as palavras recentes do presidente da Fifa. Nesta semana, Gianni Infantino afirmou que “todos vão perceber que serão muito bem-vindos aqui no Catar, mesmo nos casos de LGBTQ”. Al Ansari reiterou que não está rejeitando integrantes desta comunidade ou anunciando que não serão bem-vindos. “Reservem o quarto juntos, durmam juntos… Isso não é da nossa conta. Estamos aqui para gerenciar o torneio. Não vamos além das coisas pessoais individuais que podem estar acontecendo entre essas pessoas… Essa é a ideia. Aqui não podemos mudar as leis. Você não pode mudar a religião durante os 28 dias da Copa do Mundo.”

A forma como torcedores homossexuais serão tratados no Catar é alvo de preocupação por parte de entidades ligadas ao futebol e ao movimento nos últimos meses. A rede FARE, que monitora eventuais casos de discriminação nos jogos, pediu para que todos os torcedores sejam respeitados durante a disputa do Mundial. Nesta sexta-feira, a rede rebateu as declarações de Al Ansari. “A ideia de que a bandeira, que é reconhecida universalmente como símbolo da diversidade e igualdade, será retirada das pessoas para protegê-las não será considerada aceitável. E será encarada apenas como um pretexto (para o preconceito)”, afirmou Piara Powar, diretor executivo da FARE. “Já estive no Catar por diversas vezes e não espero que a torcida local ou a população catariana ataquem alguém apenas por causa da bandeira do arco-íris. O maior perigo vem das ações do Estado”, destacou Powar.

Comentários (3)
  • em 14-04-2022 às 10:25 Susy Buneca De Prastico
    Tenho horro a futibola...kkkkkkkkkk. Pra eu, é pura perca e tempo!
  • em 11-04-2022 às 22:35 zequinha
    A copa do mundo é um multinacional, a lei que deve prevalecer a lei estabelecida pela FIFA e esta não discrimina e nem admite qualquer tipo de discriminação. Logo esta na hora da FIFA promotora da copa se posicionar a respeito deste assunto.
  • em 11-04-2022 às 17:48 Dany
    Aquela religião radical e intolerante, outra milésima vez.