Bangay, a escola de samba LGBT que quer conquistar o carnaval do Rio

Primeira escola de samba LGBTQIA+ do carnaval Carioca, a Bangay mantém sua militância para seguir na avenida, mas precisa conviver com falta de investimentos, a violência e o preconceito.

por Redação MundoMais

Quarta-feira, 20 de Abril de 2022

Ao chegar ao clube do bairro, Tiago Rosa pendura uma bandeira arco-íris na parede: está para começar o ensaio de sua escola de samba, a Bangay, que se apresenta como a primeira 'escola' LGBT do carnaval do Rio de Janeiro. 

Com seus trajes coloridos de paetê, sua animada bateria e uma boa dose de samba no pé, esta agremiação, surgida no bairro de Bangu, zona oeste do Rio, se parece a muitas escolas de samba do Rio. Mas o que a diferencia das demais é que seus integrantes são "90% LGBTQIA+", explica à AFP sua fundadora e vice-presidente, Sandra Andréa dos Santos.

Mulher heterossexual, casada com um policial, ela teve a ideia de criar em 2016 um bloco de carnaval (o Bangay Folia), que desse a seus amigos LGBT, que normalmente trabalham nos bastidores do Sambódromo, na Marquês de Sapucaí, um espaço próprio para brilhar.

No ano passado, transformaram o 'bloco' em uma escola de samba, que competirá pela primeira vez no Grupo de Avaliação, a quinta e última divisão do concurso oficial, desfilando na Avenida Intendente Magalhães, no bairro do Campinho, zona norte do Rio, na véspera da abertura do grande espetáculo no Sambódromo.

"Somos a primeira escola que tem essa bandeira (LGBT no Rio). No carnaval, por trás das câmeras, as pessoas que não aparecem, que fazem as fantasias, as alegorias, são, na maioria, do grupo LGBT. Essas pessoas não são vistas, não têm seu espaço dentro do carnaval", diz Tiago Rosa, membro da Comissão de Carnaval de Bangay e assistente de Sandra, carnavalesca da escola.

No último ensaio antes da grande estreia, a drag queen Louise Murelly porta com elegância do alto de seu 1,90 m a bandeira da Bangay. Com a cabeça erguida e um largo sorriso, ela desliza pela pista girando em grande velocidade, cortejada por seu mestre-sala.

A poucos metros, um grupo de passistas formado por várias mulheres transexuais samba com graça ao ritmo da bateria, que é comandada por uma mulher, algo incomum no universo das escolas de samba. Rei, príncipe e vários diretores da escola, entre outros membros, são homossexuais.

"Por que a comunidade LGBT não pode brilhar também na frente e não só nos bastidores?", questiona Murelly, segurando com orgulho a bandeira da Bangay, cujo símbolo é um tigre branco, pois "representa a soma de todas as cores".

Comentários (2)
  • em 24-04-2022 às 14:15 Para Rodriga
    Tenho horror de carnaval! Festa do cão/Demo/Lucifer!
  • em 21-04-2022 às 11:42 Rodrigo Goiânia
    Próximo ano irie ao carnaval do Rio para prestigiar.