História e diversidade: Reino Unido inaugura seu primeiro museu LGBT+

A iniciativa tem como objetivo celebrar a cultura “queer” e torná-la conhecida.

por Redação MundoMais

Terça-feira, 10 de Maio de 2022

O primeiro museu LGBT+ do Reino Unido abriu esta semana em Londres com o objetivo de celebrar a história e a cultura “queer” e torná-la conhecida por “todos”.

Instalado em um prédio de tijolos do século 19 em Granary Square, norte de Londres, o Queer Britain – financiado inteiramente por doações privadas – abriu suas portas na quinta-feira (5).

Uma grande exposição de fotografias, obras de arte e roupas está planejada para o verão, mas os visitantes já podem encontrar imagens que exploram a história e a diversidade da comunidade britânica LGBT+, de travestis da era vitoriana a marchas do orgulho gay nos últimos anos.

Os pioneiros incluem Roberta Cowell, piloto de corridas e a primeira mulher trans britânica conhecida a passar por uma cirurgia de mudança de sexo, e Justin Fashanu, o primeiro jogador de futebol a se assumir publicamente como gay em 1990.

"(Este museu) é um lugar permanente para celebrar quem somos, as incríveis contribuições que fizemos à história e educar a nação para que também conheça essas contribuições", disse à AFP Stephanie Stevens, uma das gerentes do museu.

Elisha Pearce, uma jovem de 21 anos, aprecia uma foto de soldados da Primeira Guerra Mundial vestidos como mulheres e admite:

"Não imaginava que esse tipo de foto existisse. É importante que entendamos como nossa história evoluiu e como chegamos onde estamos hoje."

As fotografias em exibição também mostram até onde chegou, por exemplo, a aceitação do gays em cargos eleitos.

Em 1977, o Partido Trabalhista recusou-se a investir em Maureen Colquhoun, a primeira deputada trabalhista abertamente lésbica. A decisão foi revertida um ano depois pela liderança do partido.

Décadas depois, Ruth Davidson, uma política abertamente gay, tornou-se uma líder popular dos conservadores escoceses até sua saída em 2019.

Além disso, o deputado conservador Jamie Wallis, que se assumiu abertamente transgênero em março deste ano, recebeu mensagens de apoio de todo o espectro político, incluindo o primeiro-ministro Boris Johnson.

A homossexualidade deixou de ser crime na Inglaterra e no País de Gales em 1967. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido desde 2014 na Inglaterra, Escócia e País de Gales, mas apenas desde 2020 na Irlanda do Norte, onde os unionistas ultraconservadores no poder se opuseram ferozmente.

No entanto, a comunidade LGBT+ ainda tem várias batalhas pendentes. No mês passado, precisou se mobilizar quando o governo britânico quis retirar uma proibição a terapias de conversão com o objetivo de mudar a orientação sexual.

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