MeToo Brasil expande canal de suporte psicológico com a Uber para racismo e LGBTfobia

Serviço que já acolhe sobreviventes de violência de gênero em viagens pelo aplicativo da Uber vai passar a atender também vítimas de discriminação.

por Redação MundoMais

Segunda-feira, 23 de Maio de 2022

No Dia Internacional de Combate à LGBTIfobia (17/5), o MeToo Brasil, organização dedicada ao acolhimento de sobreviventes de abuso sexual, anunciou a expansão do seu canal de suporte psicológico patrocinado pela Uber e voltado para usuárias(os) e motoristas parceiros(as). Além de seguir acolhendo sobreviventes de violência sexual, o plantão passa a atender também vítimas de condutas discriminatórias baseadas em raça, identidade de gênero, orientação sexual, expressão de gênero, intolerância religiosa, capacitismo, entre outras.

O objetivo do canal é acolher as pessoas que reportam um incidente do tipo pelo aplicativo da Uber. Após serem atendidas pelo time de suporte do app, as vítimas são encaminhadas ao suporte psicológico qualificado do MeToo Brasil. A assistência psicológica consiste em até quatro sessões de uma hora cada, que são conduzidas por profissionais da psicologia especializados(as) e buscam acolher o relato de forma empática e sem julgamento. O objetivo é dar um primeiro acolhimento e auxiliar a pessoa para que ela se sinta segura e apoiada ao enfrentar o trauma vivido. Vale ressaltar que os atendimentos são sigilosos e a Uber não tem acesso a nenhuma informação após o encaminhamento para o MeToo Brasil.

Essa iniciativa, que já contabiliza oito meses de apoio à sobreviventes de violência sexual, veio se somar ao canal geral já mantido pelo MeToo Brasil, que segue aberto para ajudar sobreviventes em geral que desejem relatar o que aconteceu com elas ou buscar auxílio psicológico, jurídico e assistencial junto às voluntárias da organização.

A presidente do Me Too Brasil, Marina Ganzarolli, destaca o papel pioneiro do serviço e o compromisso da Uber com a realidade brasileira. “O Brasil é um país estruturalmente racista e LGBTfóbico e nós somos o primeiro país do mundo em transfeminicídio. Pensar em uma resposta adequada e em um acolhimento psicológico para pessoas que passam por experiências traumatizantes por condutas discriminatórias dentro da plataforma é muito positivo e inovador e deveria ser feito por todas as empresas”, ressalta.

“Segurança e prevenção sempre serão prioridade, mas nós acreditamos que o investimento em iniciativas e conteúdos educativos que combatam a violência sexual e a discriminação precisa vir acompanhado do acolhimento das denúncias e de um suporte qualificado caso algo aconteça. O apoio psicológico é uma iniciativa pioneira que estamos expandindo como forma de reforçar o nosso canal de suporte e encorajar que as pessoas o utilizem”, comenta Celeste Lazzerini, Líder de Projetos para Segurança, Gênero e Transparência da Uber na América Latina.

Desde 2018, a Uber tem um compromisso público para enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, materializado em projetos elaborados em parceria com entidades que são referência no assunto, que inclui campanhas contra o assédio, podcast para motoristas parceiros sobre violência contra a mulher, pesquisas sobre o tema, entre outras ações. Além disso, a empresa está sempre desenvolvendo ferramentas tecnológicas voltadas para segurança do app, como a detecção de mensagens inapropriadas, não revelação do número de telefone, bem como da origem e destino exato das viagens no histórico do motorista, compartilhamento de rota, gravação de áudio e o recurso U-Elas, que permite às parceiras receberem chamadas de viagem apenas de outras mulheres.

Sobre o MeToo Brasil

Inspirado e influenciado pelo movimento #MeToo, fundado por Tarana J. Burke, nos Estados Unidos, o Me Too Brasil é um movimento contra o assédio e o abuso sexual. O objetivo é amplificar a voz das vítimas e prestar acolhimento. A partir da união de esforços com o projeto Justiceiras, proporciona apoio psicológico, jurídico, assistencial e de orientação às sobreviventes e a tomada de providências necessárias junto às autoridades competentes, além do encaminhamento à Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público. As vítimas pedem apoio por meio do site metoobrasil.org.br.

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