Cabeleireira de Canoas se prepara para representar o Brasil no Miss Internacional Trans

Desiree Oliveira, de 34 anos, fala do desafio de representar a população LGBTQIA+ brasileira no concurso. Evento ocorre no Panamá entre 8 e 11 de junho.

por Redação MundoMais

Terça-feira, 31 de Maio de 2022

O Brasil terá uma representante entre as 14 concorrentes do Miss Internacional Trans, que será disputado no Panamá entre 8 e 11 de junho. A missão caberá à cabeleireira Desiree Oliveira, de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Ela foi eleita miss na cidade, vice do concurso estadual e Miss Brasil Transex em 2017. O reconhecimento nacional conquistado rendeu o convite para o evento internacional. No entanto, a participação prevista para 2021 se tornou inviável em razão da pandemia de Covid-19.

“Eu estou muito feliz em ser a porta-voz de todas as transexuais e travestis do meu país, que infelizmente é o que mais mata transexuais e travestis no mundo“, afirma.

Com esse propósito, a cabeleireira se diz orgulhosa em servir de referência a outras pessoas que sofrem preconceito ou eventuais dificuldades em razão da própria identidade.

“A minha coroa é essa, é poder ajudar e ser útil ao próximo. Por eu ser uma pessoa influente a elas, que me observam, eu sempre tento mostrar a melhor parte de tudo”, destaca Desiree.

A miss, que tem 34 anos, comenta o dado da Rede Trans Brasil, que verifica uma expectativa de vida de 35 anos entre a população trans no país.

“Estou pertinho dessa idade e quero mostrar que, tendo garra e correndo atrás dos nossos sonhos, batalhando e conquistando nosso espaço devagarinho, com certeza, aos pouquinhos, as pessoas vão começando a nos respeitar como seres humanos”, aponta.

Preconceito

Desiree recorda de quando fez sua transição, dizendo ser o período em que mais sofreu preconceito.

“Foi bem complicado. Já fui barrada em lugares, já fui ofendida na rua, em lugares fechados, já fui ameaçada. Já tive, na minha família, pessoas que não aceitavam e, com o tempo, elas foram aceitando”, comenta a cabeleireira.

Um dos episódios mais marcantes na vida dela foi quando, antes da transição, teve uma oportunidade de emprego negada por conta do cabelo comprido. Segundo os responsáveis pela empresa, homens deveriam ter cabelo curto para trabalhar na faxina de um local durante a madrugada. Com medo de ficar sem a vaga, ela cortou o cabelo.

“Eu precisava trabalhar e fui direto ao salão de beleza, cortei o cabelo bem curtinho. Estou, até hoje, esperando ele me ligar. Daí eu peguei isso e fiz uma força a mais para mim”, lembra.

Foi a partir dessa ocasião que Desiree decidiu trabalhar como cabeleireira. Ela ainda comenta sobre a crença de muitas pessoas, que veem na população LGBTQIA+ o que julgam ser um comportamento “vulgar”.

“Eu sou cabeleireira há 17 anos, levo uma vida normal, trabalho como qualquer outra mulher. Eu tento mostrar para as pessoas que nós podemos conquistar o nosso espaço sem se prender a ninguém ou a alguma coisa”, defende Desiree.

Vaquinha e concurso

Os custos do concurso, como transporte, alimentação e hospedagem no Panamá, serão pagos pela organização do evento. Contudo, Desiree precisa de verba para custear figurino, maquiagem e outros itens de preparação.

A miss busca arrecadar R$ 5 mil em uma campanha divulgada nas redes sociais. No Panamá, as concorrentes irão participar de sessões de foto, treinamento de discurso – Desiree irá falar sobre igualdade –, prova de vestido de gala e a final do concurso. O traje típico brasileiro usado pela canoense na apresentação será uma referência à Iemanjá.

Comentários (2)
  • em 01-06-2022 às 10:57 Elba
    Essa parece mule memo! Belissima!!!
  • em 31-05-2022 às 18:38 luz
    muito sucesso na caminhada