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Me Conte um Fofoca: dupla LGBT+ mais fofoqueira do Brasil conta como surgiu podcast de sucesso

Em entrevista, Duda Dello Russo fala sobre humor "baixo e ácido" de programa comandado por eles.

por Redação MundoMais

Quinta-feira, 13 de Junho de 2024

“Mona, eu tenho uma fofoca babado pra te contar?” – “Então me conta essa fofoca, viado!”

Assim começa cada episódio do "Me Conte uma Fofoca", apresentado pelos podcasters Duda Dello Russo e Thiago Theodoro. Sempre com um “olá” bastante expressivo, a dupla LGBT+ tem conquistado o público, criando um universo cheio de humor e, claro, muita fofoca sobre os famosos e tudo o que é destaque na internet.

“Sempre fui a [gay] caricata do grupo, meus amigos já me achavam engraçado”, comenta Duda Dello Russo, em entrevista ao Terra. Segundo ele, o que explica o sucesso da condução do podcast é justamente o humor “baixo e ácido”, mas também criativo, que ele e Thiago compartilham. Não é só fofoca, tem “jornalismo sério”, como costumam brincar.

E a amizade deles surgiu gravando podcast, ao participarem como convidados do programa "Um Milkshake Chamado Wanda" – podcast sobre cultura pop e entretenimento. Depois, demoraram cerca de três anos para se conhecerem pessoalmente, quando a pandemia da Covid-19 amenizou.

“Nessa época, o podcast [Me Conte uma Fofoca] virou uma coisa séria na minha vida. No meio das gravações, a gente foi se aproximando [Duda e Thiago], vendo que dava muito certo. Tínhamos uma energia boa juntos e a audiência gostava das nossas interações”, acrescenta Duda.

Duda teve outras experiências com podcasts, por exemplo, o "Santíssima Trindade das Perucas". Já Thiago, que também é jornalista, comandava o "E aí, Gay?" e outros projetos voltados para o público LGBT+.

A fofoca edifica

“Já tinha exposto muito a minha vida, agora queria expor a dos outros”, responde Duda, aos risos. A ideia de monetizar a fofoca foi dele. Tinha tudo pensado, o nome e a arte do projeto para criar o "Me Conte uma Fofoca", mas faltava algo, ou melhor, alguém, para embarcar nessa com ele. Duda levou a sugestão para Thiago, que topou na hora.

“Ele adorou a ideia. Fomos gravar um programa teste e a gente viu que funcionamos muito no improviso. Gravamos e já lançamos, foi muito rápido”, relembra. O piloto foi publicado em junho de 2022.

De lá para cá, o podcast cresceu e furou bolhas. “Já tivemos trabalhos mais nichados, sobre as vivências LGBT+. Hoje, eu sinto que a gente tem um público mais geral. E isso é muito legal, porque eu estou conversando com uma galera que eu não conversava antes”, destaca Duda, sobre a importância de se comunicar com diferentes públicos.

“A gente não muda a nossa abordagem por causa dessas pessoas que nos abraçaram, sabe? Continuamos com a nossa comunicação, a nossa forma de falar [mais afeminada] e criamos também um universo dentro disso, o nosso glossário, etc.”

Processo de aceitação e família

Inclusive, até os pais de Duda Dello Russo são ouvintes do podcast. “Meus pais são meus maiores aliados, compram as minhas batalhas”, diz ele. De contexto religioso e também periférico de São Paulo, Duda começou a se montar como drag aos 17 anos.

Ter o apoio e acolhimento dos pais foi fundamental para seu crescimento pessoal, aceitação e também no processo para se revelar um comunicador. Por isso, ele ressalta a importância de apoiar criadores LGBT+.

“Tem muita gente incrível fazendo um trabalho por conta própria”, completa.

14-06-2024 às 10:40 Kátia
Tá.