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História de boxeador bissexual vítima de racismo ganha peça em São Paulo

Peça “12º Round: A história de Emile Griffith” articula memória, política e afetos dissidentes.

por Redação MundoMais

Segunda-feira, 07 de Julho de 2025

A montagem inédita no Brasil “12º Round: A história de Emile Griffith”, em cartaz no teatro do Sesc Ipiranga até 13 de julho, apresenta a vida do pugilista bissexual que enfrentou o racismo e a homofobia no auge de sua carreira, nos anos 1960. O espetáculo parte da história real de Emile Griffith, cinco vezes campeão mundial, que declarou publicamente sua bissexualidade e teve a trajetória marcada por tensões dentro e fora dos ringues.

Griffith, negro e afro-caribenho, ganhou notoriedade também fora do esporte após o combate de 1962 contra Kid Paret, que o havia ofendido publicamente com insultos homofóbicos. Na luta televisionada, Griffith nocauteou Paret, que faleceu em decorrência dos golpes. A cena ficou marcada na memória do público e reabriu o debate sobre violência no esporte e intolerância sexual. Idealizado pelo ator Fernando Vitor, o espetáculo propõe uma narrativa fragmentada e intensa. A dramaturgia é de Sérgio Roveri e a direção de Bruno Lourenço. A encenação é dividida em “rounds”, refletindo a estrutura de uma luta de boxe. O formato inclui doze cenas principais de três minutos, intercaladas por breves transições que simulam os intervalos dos combates.

“A trajetória de Griffith é uma das maiores histórias do mundo do esporte, e seu desconhecimento é resultado de um longo processo de apagamento de nossa história e nossas identidades”, afirma Fernando Vitor. “Estamos comprometidos em honrar sua trajetória, destacando o fato de Emile ter se tornado, além de tudo, um ativista da causa LGBT+”.

A peça marca ainda a estreia do Coletivo Nocaute, formado por artistas negros com trajetórias em produções teatrais que abordam temas raciais e de dissidência sexual. “Transformar a luta em linguagem, em dança e em narrativa”, segundo o diretor Bruno Lourenço, foi o maior desafio da produção. “Griffith não é apenas uma figura biográfica, é um ancestral. Um campeão mundial praticamente apagado do nosso imaginário por conta da homofobia”, acrescenta.

A proposta estética da montagem se aproxima do teatro-documentário, incorporando vídeos, imagens de arquivo e uma trilha sonora que remete a clássicos do cinema. A estrutura busca explorar o corpo como território de disputa — entre o esforço físico do esporte e as tensões simbólicas da identidade.

O texto original da peça foi premiado pelo PROAC em 2015, com apresentações públicas e debates promovidos em bibliotecas e escolas de teatro como contrapartida. As sessões ocorrem às sextas e sábados (20h), domingos e feriados (18h), com apresentações extras nos dias 9 e 10 de julho. A classificação indicativa é de 16 anos.

Serviço:

• “12º Round: A história de Emile Griffith”
• Temporada: até 13 de julho de 2025
• Horários: sextas e sábados às 20h | domingos e feriados às 18h
• Sessões extras: 9 de julho (quarta), às 18h; 10 de julho (quinta), às 20h
• Local: Teatro do Sesc Ipiranga
• Endereço: Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo – SP
• Telefone: (11) 3340-2000
• Ingressos: R$ 18 (Credencial Plena), R$ 30 (meia-entrada), R$ 60 (inteira)
• Classificação indicativa: 16 anos
• Duração: 70 minutos
• Link para ingressos e informações: neste link
• Instagram: @12roundteatro

07-07-2025 às 15:08 Marianus-Passiva.
Racismo é algo.....Podre/Nojento/Asqueroso! E quem o pratica......................Deve se Fuder/Se Laská, de verde e amarelo numa sela de prisão/Pra móde criar vergonha na cara!.....Boa tarde.