por Redação MundoMais
Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2026
O Brasil registrou a morte de uma pessoa LGBT+ a cada 34 horas ao longo de 2025. Os dados constam no mais novo levantamento do Observatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), que mapeou 257 mortes violentas noticiadas no último ano, englobando homicídios, latrocínios e suicídios.
O número representa uma redução de 12% em comparação com 2024, quando foram contabilizados 291 casos. Com este resultado, o país retorna ao patamar registrado em 2023, que também apresentou 257 mortes. Apesar da queda percentual, o Brasil continua no topo do ranking global de países com maior número de mortes de pessoas LGBT+, seguido pelo México (40 casos) e Estados Unidos (10).
Perfil das vítimas e tipos de crime
O levantamento detalha a segmentação das vítimas por identidade de gênero e orientação sexual:
• Gays: 156
• Mulheres trans: 46
• Travestis: 18
• Bissexuais: 9
• Lésbicas: 4
• Homens trans: 3
• Heterossexuais:* 3
• Não informado: 16
*Pessoas heterossexuais assassinadas por defenderem integrantes da comunidade, por terem sido confundidas ou por estarem acompanhadas de pessoas LGBT+.
Em relação à natureza dos crimes, os homicídios representam a esmagadora maioria, com 80% dos registros. Na sequência aparecem os suicídios (8%) e os latrocínios (7%). Quanto aos métodos utilizados, as armas de fogo foram responsáveis por 15% das mortes, seguidas por armas brancas (14%), embora em 60% dos casos o meio utilizado não tenha sido informado.
O Nordeste foi a região com o maior número absoluto de mortes (66), seguida pelo Sudeste (48) e Centro-Oeste (33).
Análise e críticas: A “ponta do iceberg”
Para o fundador do GGB e doutor em antropologia, Luiz Mott, a redução de 12% não pode ser creditada a avanços em políticas públicas. “O governo atual fala muito e defende a população LGBT, há leis que assimilaram a homofobia ao racismo, mas não há políticas específicas para proteção da comunidade”, afirma.
Mott sugere que a queda pode estar ligada a uma maior autoproteção da comunidade, que passou a evitar locais de risco e encontros com desconhecidos, além de variações estatísticas naturais de crimes sem previsibilidade lógica.
A ONG, que realiza o estudo há 45 anos com base em notícias e correspondências, alerta para a grave subnotificação. O grupo define os dados como “a ponta visível de um iceberg de ódio e sangue”, criticando a falta de sistematização estatal e de financiamento público para pesquisas detalhadas sobre crimes de ódio.
“Muitas matérias jornalísticas e registros policiais omitem informações cruciais sobre orientação sexual e identidade de gênero. Tal omissão dificulta uma análise mais precisa da violência”, conclui a nota da ONG.