por Redação MundoMais
Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026
O sábado de Carnaval em São Paulo (14/02) confirmou o que já se desenhava nos últimos anos: os blocos LGBT+ não são apenas nicho, mas o motor do Carnaval de rua paulistano em 2026. Da tradição das drags no Centro à grandiosidade do Ibirapuera, a diversidade ditou o ritmo de uma multidão que tomou as vias da capital.
Minhoqueens: 10 Anos de Resistência e Glitter no Centro
O tradicional cruzamento das avenidas Ipiranga e São João ficou pequeno para o Minhoqueens. Celebrando uma década de história, o bloco fundado pela drag queen Mama Darling em 2016 transformou o centro em um mar de foliões.
• Destaques do Desfile: A comissão de frente, composta exclusivamente por drag queens, abriu caminho para apresentações de Lia Clark, MC Xuxu e Paola Cadillac.
• Sonho que não envelhece: “Comecei [a carreira drag] com 51 anos. O sonho nunca envelhece”, celebrou Mama Darling do alto do trio, emocionada com a marca de 10 anos de folia.
A logística foi um desafio à parte: a organização precisou de cordas e uma equipe dedicada para abrir caminho entre a multidão, garantindo que o caminhão de som avançasse em direção à Praça da República ao som do axé eletrônico da Drag Baiana.
Dramas de Sapatão: Segurança e Pancadão no Arouche
A poucos quarteirões dali, no Largo do Arouche, o bloco Dramas de Sapatão ofereceu uma proposta de ocupação política e segura. Fundado pela influenciadora Dady Veríssimo e por Pam Santos, o grupo nasceu para ser um refúgio contra o preconceito.
“O Dramas de Sapatão existe para a gente sambar na cara da sociedade contra todos os preconceitos. Todas são bem-vindas”, afirmou Dady.
Com um repertório focado no funk e clássicos do “pancadão” sob o comando da DJ Cardya, o bloco atraiu um público diversificado, provando que o espaço seguro criado para lésbicas hoje acolhe todas as identidades que buscam respeito e liberdade.
Agrada Gregos: O Gigante do Ibirapuera
Já na zona sul, a Avenida Pedro Álvares Cabral recebeu o Agrada Gregos, autointitulado o “maior bloco LGBT+ do Brasil”. Com uma estrutura altamente profissionalizada, patrocínio de grandes marcas e nomes de peso como Gloria Groove e Gretchen, o bloco arrastou uma multidão de “gregos” modernos.
O que começou como uma brincadeira de fantasias com lençóis brancos tornou-se um fenômeno de massa. A força do bloco é tamanha que muitos foliões, como o estudante Vicente (22), frequentam a festa pela energia, independentemente da temática: “A gente nem sabia que o bloco é LGBT. Para a gente, isso nem importa”, comentou, reforçando como a folia rompeu as bolhas da sigla.
O fenômeno dos blocos LGBT+ em São Paulo repete o sucesso da Parada do Orgulho: eventos que nascem da militância, mas que hoje movimentam o turismo e a economia da cidade, provando que a diversidade é, definitivamente, o maior patrimônio do Carnaval paulistano.