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Imperatriz emociona com o samba-enredo Camaleônico em homenagem a Ney Matogrosso

Sexualidade e liberdade foram temas que perpassaram o cortejo, repleto de referências à obra do cantor.

por Redação MundoMais

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026

O primeiro dia do Carnaval do Rio de Janeiro já entrou para a história como uma das noites mais simbólicas da temporada. Em um desfile arrebatador, a Imperatriz Leopoldinense transformou a Marquês de Sapucaí em palco de consagração para um dos maiores intérpretes da música brasileira: Ney Matogrosso.

Com o samba-enredo “Camaleônico”, a escola construiu uma narrativa potente sobre arte, liberdade, sexualidade e reinvenção — marcas indissociáveis da trajetória do artista.

Desde o abre-alas, a Imperatriz deixou claro que não faria uma homenagem protocolar. O número inicial reuniu múltiplas versões visuais de Ney, evocando diferentes fases de sua carreira — do impacto performático dos anos 1970 à sofisticação cênica que atravessou décadas. A metáfora do camaleão, símbolo da transformação constante, guiou o desfile como fio condutor dramático e estético.

A proposta foi além da biografia: apresentou Ney como figura que tensionou padrões de gênero, comportamento e expressão artística em plena ditadura militar, tornando-se um ícone da liberdade no Brasil. A escola apostou em uma leitura sensível e, ao mesmo tempo, provocadora — exatamente como o artista sempre foi.

Um dos momentos mais comentados da noite foi o carro alegórico “O Arauto do Jardim das Delícias Terrenas”, inspirado na obra do pintor renascentista Hieronymus Bosch. A alegoria trouxe figuras humanas douradas em cenas que evocavam prazer e sensualidade, além de símbolos como cisnes e cogumelos, recriando o universo onírico da pintura em linguagem carnavalesca.

À frente do carro, Ney Matogrosso surgiu em verde e dourado, reafirmando sua presença magnética e performática. O artista não foi apenas homenageado: foi protagonista ativo do desfile. Ao seu lado estavam convidados como o ator Jesuíta Barbosa, que o interpretou no cinema, além de Sarah Oliveira e Maitê Proença, ampliando o simbolismo da celebração.

Ao escolher Ney como enredo, a Imperatriz Leopoldinense reafirmou o Carnaval como espaço de memória viva da cultura brasileira. O desfile costurou momentos da carreira do cantor com reflexões sobre liberdade de expressão, diversidade e resistência artística — temas que seguem absolutamente contemporâneos.

“Camaleônico” mostrou que Ney Matogrosso não é apenas um artista de sucesso: é uma instituição cultural. Sua capacidade de se reinventar, mantendo coerência estética e intensidade interpretativa, o coloca como referência incontornável da música e da performance no Brasil.

O resultado foi um desfile emocionante do começo ao fim, que uniu impacto visual, inteligência narrativa e potência simbólica. No primeiro dia do Carnaval do Rio 2026, a Imperatriz não apenas homenageou um ícone — ela transformou a Sapucaí em manifesto sobre liberdade, arte e identidade.