por Redação MundoMais
Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026
O filme brasileiro “A Miss”, dirigido por Daniel Porto, estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, trazendo à tela uma história sobre desejo, imposição familiar e identidade em torno do universo dos concursos de beleza.
No centro da trama, está a personagem Iêda, uma ex-vencedora de concurso de miss que, anos depois, projeta sobre a filha Martha o sonho de manter viva a tradição da coroa na família. Martha, no entanto, não tem interesse algum na faixa. Quem se revela mais afinado com o universo dos desfiles é o irmão, Alan, que, com a ajuda do excêntrico tio Athena, elabora um plano para disputar o título sem que a mãe perceba.
Ambientado no bairro do Grajaú, na zona norte do Rio de Janeiro, o longa percorre os conflitos internos e externos de uma família marcada por expectativas rígidas e papéis de gênero predefinidos. Ao deslocar o foco da figura feminina tradicional para o filho, que demonstra maior talento e desejo em se envolver com o universo dos concursos, o filme tensiona estruturas sociais que ainda associam feminilidade a determinadas funções e comportamentos.
Apesar de não se apresentar como um drama LGBT+ no formato convencional, “A Miss” tem percorrido o circuito de festivais internacionais voltados à diversidade sexual e de gênero. O longa passou por mostras como o OMOVIES – Festival Internacional de Cinema LGBT+, na Itália, e o Queergestreift Film Festival, na Alemanha, reforçando o interesse de curadorias voltadas à representação de narrativas queer.
O elenco conta com Helga Nemeczyk no papel da mãe, Maitê Padilha como Martha, Pedro David como Alan, e Alexandre Lino interpretando o tio Athena. A produção se equilibra entre o drama e o humor, sem recorrer ao caricatural, apostando numa abordagem afetiva sobre relações familiares, identidade e pertencimento.
O diretor Daniel Porto define o filme como uma “dramédia”, uma junção entre drama e comédia. Em entrevistas, ele destaca que o foco não é discutir diretamente a orientação sexual de Alan, mas sim a rigidez dos papéis familiares e o impacto que isso tem sobre a subjetividade dos personagens. A “coroa”, portanto, funciona menos como símbolo de vitória estética e mais como representação dos caminhos que cada pessoa toma — ou tenta tomar — para ser reconhecida e amada.