por Redação MundoMais
Sexta-feira, 13 de Março de 2026
O prefeito de Confresa, Ricardo Babinski (MDB), exonerou a secretária municipal de Cultura, Evirlene Sipaúba (PL), após a repercussão de declarações consideradas homofóbicas contra o vereador Marcelinho (PSB). A decisão foi formalizada por meio de portaria publicada na última sexta-feira (6).
A exoneração ocorre após a circulação de um áudio, enviado em conversa privada de WhatsApp, no qual a então secretária comenta sobre a participação do vereador e policial civil Marcelo Souza em um evento voltado ao Dia Internacional das Mulheres no município. No áudio, Evirlene questiona a presença do parlamentar como palestrante e faz referência à orientação sexual dele, de forma considerada preconceituosa.
“E esse evento aí mulheres do agro que eu não estava sabendo e eu gostaria de estar aí? O palestrante é que está meio assim, torto, né? Não entendi, um homem que nem gosta de mulher, casado com outro, palestrando para as mulheres? Ô gente, onde que a gente chegou? Jesus amado”, diz trecho da gravação.
As declarações provocaram reação imediata de movimentos sociais e lideranças políticas. A Secretaria Estadual LGBT do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso divulgou nota afirmando que a fala reproduz “preconceito e desinformação” e reforça estigmas históricos contra a população LGBT+. O grupo ressaltou que manifestações dessa natureza são incompatíveis com o exercício de função pública e violam princípios constitucionais como dignidade da pessoa humana, igualdade e respeito à diversidade. A nota também lembrou que, desde 2019, o Supremo Tribunal Federal equiparou homofobia e transfobia ao crime de racismo.
No domingo (8), Dia Internacional das Mulheres, a ex-secretária usou as redes sociais para se manifestar sobre o episódio, agradecendo pelo apoio recebido e afirmando que pretende dar entrevistas para explicar os fatos. Em seu pronunciamento, ela afirmou:
“Não vou e nem quero me eximir das consequências, até porque já estou arcando, mas também represento um povo. Não posso baixar a cabeça, (embora essa pareça ser a única opção), sou filha do Rei, que não nos deu espírito de covardia, mas de poder, amor e domínio próprio… Em breve vou me pronunciar nos espaços que me foram oferecidos. Obrigada pelas orações e apoio recebido.”
O vereador Marcelo Souza não se pronunciou sobre o caso até o momento.