Se não abraço, eu beijo!

Manifestantes fazem beijaço gay em bar de Campinas contra homofobia.

por Redação MundoMais

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

Beijaço aconteceu em frente ao bar onde teria ocorrido a discriminaçãoBeijaço aconteceu em frente ao bar onde teria ocorrido a discriminação

Um jovem de Campinas (SP) afirma ter sido vítima de homofobia em um bar de Campinas (SP). O caso aconteceu na quinta-feira (12), no Sinfonia Bar, no bairro Cambuí. Neste sábado (21), como forma de protesto, cerca de 100 pessoas participaram de um "beijaço gay" na frente do estabelecimento. Procurado pela reportagem, o dono do espaço disse que não iria comentar o ocorrido.

O estudante Fernando Marques, de 19 anos, disse que estava acompanhado de seu parceiro na quinta-feira quando entrou no local para comprar uma bebida e foi abordado e ameaçado pelo dono do estabelecimento.

“A gente queria beber e fomos naquele bar. Entramos no bar, e eu entrei de mãos dadas com o menino que estava comigo. Assim que entrei, eu percebi o dono olhando feio pra mim, e até pensei que fosse impressão minha”, diz.

Ele conta que em seguida, os dois saíram do estabelecimento e ficaram na calçada, do lado de fora, aguardando uma carona.

“Nós ficamos abraçados. O dono do bar saiu e falou ‘vocês vão ficar se pegando aqui mesmo?’. Eu perguntei qual era o problema, se era por sermos dois homens, e ele falou ‘é lógico’”, relata Marques.

O jovem disse que pensou em afrontar o dono do local, mas teve receio de outra represália.

“Eu fiquei com medo porque essa pessoa que expulsa pode ser a mesma que mata. É o que eu falo, são atos assim que gera violência, acho que isso impulsiona para acontecerem as coisas que vêm acontecendo”, pontua. O jovem pretende registrar um boletim de ocorrência sobre o caso.

'Beijaço' aconteceu em frente ao bar onde teria ocorrido a discriminação'Beijaço' aconteceu em frente ao bar onde teria ocorrido a discriminação

Beijaço

Após o ocorrido, o amigo de Marques, o designer gráfico Renan Bittencourt conta que teve a ideia de fazer uma manifestação para não deixar o caso passar em branco. “Eu fiz o evento no Facebook como forma de protesto e acabou repercutindo muito mais do que eu esperava”, destaca.

Apesar de morar em Itajaí (SC), ele explica que se sentiu responsável pela manifestação ao perceber que muitos se engajaram com a história. Cerca de 1,1 mil pessoas demonstraram interesse em participar do evento criado em uma rede social.

Com o apoio de transexuais, travestis, héteros e simpatizantes, Bittencourt afirma que teve facilidade em encontrar interessados em se manifestar contra o preconceito.

“O nosso objetivo é mudar a mente das pessoas, fazer perceberem que merecemos o mesmo direito de todos, inclusive de demonstrar afeto em público", explica.

Protesto

Na tarde deste sábado (21), de acordo com a organização, cerca de 100 pessoas participaram de um “beijaço” em frente ao bar como forma de protesto. O estabelecimento estava aberto, mas não houve tumulto. Para a Polícia Militar, que acompanhou o ato, foram 50 manifestantes.

A jornalista Lara Pertille disse que decidiu participar da manifestação ao conhecer o evento numa rede social. “Eu sou solidária, tenho empatia pela dor do outro. Foi um gay que sofreu essa discriminação, eu sou uma mulher transexual, então, eu também poderia ter sofrido [...] como militante, uma mulher transexual, eu milito todos os dias a partir do momento que eu coloco meu rosto na rua", declara.

Já a estudante Letícia Benegrides conta que também foi para a manifestação para apoiar a causa. “Acho que Campinas é uma cidade extremamente homofóbica, então é muito importante atos como esse, porque a gente pode ajudar a população LGBT”, conclui.

Segundo organizadores, centenas de pessoas participaram do atoSegundo organizadores, centenas de pessoas participaram do ato
Fonte:G1
Comentários (7)

Atenção: Insultos e comentários em desacordo com o tema poderão ser despublicados.

  • em 29-01-2017 às 10:28 Arlindo
    Difícil hein Rubens. Se o pessoal faz, reclama. Se não faz, também reclama. Ridículo é ficar só na internet reclamando e não agir.
  • em 24-01-2017 às 15:21 Lipe
    É isso aí. A galera LGBTTTQIA bem unida.
  • em 24-01-2017 às 07:41 Rubens
    Esse negócio de beijaço é ridículo !!!!! Não muda mente de ninguém ao contrário !!!!!
  • em 24-01-2017 às 02:45 Loiro p/ Douglas
    Isso pode até ser uma afronta. Mas diante de tanta discriminação não podemos baixar a cabeça e nos trancarmos em nosso mundinho isolado pq é isso que os preconceituosos querem. "Afetado" é uma palavra pejorativa para gays femininos e isso não aparece nas fotos acima, mas se aparecesse seria normal. E "ridículo" é vc que com certeza é um gay hipócrita que tenta se passar por hétero. Se um beijo hétero é lindo, pq um beijo gay é ridículo?
  • em 24-01-2017 às 01:41 Luiz Campinas
    Não conheço esse Bar!!! Agora, sinceramente, no século de hoje, como pode ainda existir pessoas retrógradas?? Qual o problema do afeto homossexual? Um casal, gay pode demostrar carinho e AMOR em qualquer lugar!!! O Amor independe do sexo!!! Abraços ao Rapaz Fernando Marques e agora, eu espero, não aconteça mais desaprovação por parte do proprietário desse Bar!!!
  • em 23-01-2017 às 22:11 douglas
    É isso ai? afrontar pra que? por isso somos tão discriminados, não respeitamos mais os outros. Acho desnecessário tudo isso. Afetados e ridículos.
  • em 23-01-2017 às 18:03 vivi
    E isso ai campinas!!!!