por Redação MundoMais
Segunda-feira, 02 de Outubro de 2017
Bodo Mende, de 60, e Karl Kreile, de 59 anos, se casaram às 9h30, num cartório público de SchönebergNeste domingo (1), entrou em vigor a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Alemanha. Um dia histórico na luta pelos direitos humanos e LGBT, que há décadas lutava para que isso fosse possível.
O primeiro casal a realizar este sonho está junto há 38 anos. Bodo Mende, de 60, e Karl Kreile, de 59 anos, se casaram às 9h30, num cartório público de Schöneberg, tradicional bairro LGBT da capital alemã. Eles já tinham assinado um contrato de união civil há 15 anos. Mas a nova certidão tem outro peso.
Com a nova lei, diz Jörg Steinert, porta-voz da Associação de Lésbicas e Gays em Berlim, as pessoas LGBT casadas passam a ter os mesmos direitos que os heterossexuais em questões como herança, impostos e adoção de crianças.
“Em um casamento de verdade, o Estado alemão passa a nos reconhecer como iguais em direito”, diz Karl. “Finalmente, a nossa união não é mais de segunda classe”, comemorou Bodo.
Cidades como Hannover, Stuttgart e Hamburgo também saíram na frente, e permitiram a realização de casamentos ao abrir as repartições neste domingo.
Janela histórica
A entrada em vigor da nova lei coincide com uma onda de crescimento da ultradireita no país, que viu o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) chegar ao Parlamento como a terceira força política do país. Nas eleições gerais de 24 de setembro, a sigla elegeu 94 deputados. Algo inédito!
“Foi uma janela histórica. Com a nova composição do Bundestag, talvez isso não fosse possível hoje”, diz Karl. O AfD, partido conservador que defente família formada só por heterossexuais, é visto por ele como um inimigo da causa LGBT: “Uma de suas líderes, Alice Weidel, é lésbica. Mas ela se opõe aos direitos iguais para pessoas LGBT”.
A aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, às vésperas das eleições gerais, só foi possível porque a primeira-ministra Ângela Merkel liberou sua bancada conservadora para votar de acordo com a própria consciência.