Mandata Quilombo

Recifense, Erica Malunguinho é primeira deputada trans de São Paulo.

por Redação MundoMais

Quarta-feira, 20 de Março de 2019

Pela primeira vez a Câmara dos Deputados de São Paulo teve uma de suas cadeiras ocupadas por uma deputada trans e negra. Erica Malunguinho foi eleita em 2018 pelo PSOL com mais de 54 mil votos. A empoderada Malunguinho disse que vai fazer uma “mandata” para negros, LGBTs e pobres.

Na última sexta-feira (15), Érica tomou posse de seu mandato na Câmara dos Deputados em São Paulo. Além de deputada, Érica é educadora e mestra em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo (USP). Com muita competência política, a nova deputada pensa em ocupar o espaço político comumente negado para as minorias.

No dia de sua posse, ela leu um discurso de resistência. Além disso, Érica mencionou o nome da vereadora Marielle Franco, cuja morte completou um ano na quinta-feira, 14 de março. Para a deputada, aquele era um momento histórico de representatividade para pessoas negras e LGBTs e que isso contará no futuro. Érica disse ainda que, para alguns, o momento era insignificante, mas para ela e toda a comunidade negra, era um momento a se comemorar.

Desde a época de campanha, Érica se apresenta como “Mandata Quilombo”. A mudança no substantivo mandato para o feminino é, segundo a deputada, uma atitude política. Já a palavra “quilombo” representa o compromisso que ela tem com a comunidade negra a qual dedicou muitos anos.

Aparelha Luzia

Durante sua caminhada por São Paulo, cheia de ativismo, Erica é responsável por projetos sociais que incluem pessoas negras. A deputada é nordestina e mora há 16 anos na capital paulista, onde desenvolveu seus estudos e ações em prol das minorias.

Um de seus maiores projetos, do qual Érica fala com muito orgulho, é o Aparelha Luzia. O espaço é mantido por ela e presta apoio cultural e educacional voltado para a comunidade negra. Inclusive pessoas em situação de vulnerabilidade são atendidas. A palavra “aparelha” é determinado por Érica como o feminino de “aparelho”, nome pelo qual se conheciam os espaços de resistência instalados de forma secreta na cidade durante a ditadura militar. Já o quilombo se refere ao espaço exclusivamente ocupado e dominado por negros. Segundo Érica, para que brancos entrem no local, é preciso que todos os outros membros estejam de acordo. “Isso não é racismo, é a resposta a ele”, afirma.

Comentários (13)

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  • em 25-03-2019 às 00:14 Armani Exchange
    Esse é precisamente o nosso mal. Não lemos. Não raciocinamos. Compramos pela embalagem. E aí, mesmo que difunda uma narrativa errática e de ódio, como faz essa moça da matéria, ainda assim a maioria a comprará como "humanista".
  • em 24-03-2019 às 00:35 Alguém conseguiu ler o textão d
    Eu, não. Preguiça
  • em 23-03-2019 às 09:13 Armani Exchange
    Só pra encerrar meu raciocínio: quando digo que é "profundamente lamentável que exista", logicamente que não estou me referindo ao espaço em si, o "Aparelha Luzia". Se existe com a finalidade de promover a cultura negra, perfeito, ótimo. O que lamento é que exista como espaço "proibido" a indivíduos que não são negros. Ou seja: aos brancos, aos índios e a todos os mestiços, o seria seria inacessível. Isso definitivamente é profundamente lamentável, já que deveria ser justamente o contrário. Só isso.
  • em 22-03-2019 às 10:45 Armani Exchange
    Além do mais, é preciso entender que todas essas inciativas, no final das contas, desembocam nos cofres públicos. De modo que o Estado retira dinheiro de outras áreas e passa a ser o financiador dessas iniciativas. Bem, então se é dinheiro público que está em jogo, é direito nosso compreender de que forma está sendo gasto. A deputada tem uma excelente oportunidade, de fato, de humanizar e promover mulheres trans, ao mesmo tempo, mas precisa agir com moderação e racionalidade, sob pena de acentuar o estigma que há na sociedade a respeito dos transsexuais.
  • em 22-03-2019 às 10:40 Armani Exchange
    A esquerda precisa entender que as pessoas de periferia - negras ou brancas ou índias ou caboclas ou mulatas ou cafuzas - não querem saber de "tuteladores", de "empoderadores". Elas querem oportunidades. 99% dessas pessoas são honestas. E a periferia é incrivelmente um lugar de empreendedores, micros, médios, pequenos. As pessoas querem ter a chance de crescimento e ascensão social por si mesmas. Não querem ser instrumentos de projetos desvairados de esquerda. Essa deputada anda pretendendo pescar seus peixes no oceano errado. Só isso.
  • em 22-03-2019 às 10:37 Armani Exchange
    É. Eu entendo as aflições que rondam a deputada. De fato, ele deve ter sofrido toda sorte de preconceitos, como todos nós aqui, gays que somos, já sofremos e ainda sofreremos. Ocorre que essa narrativa de ódio em muito prejudica e em quase nada acrescenta. Muito mais importante do que essas vitimizações, do que esses coletivos que incitam o ódio e a criação de guetos, é a unidade nacional em torno de um projeto inclusivo. Se houver uma política eficaz de microcrédito, por exemplo, você inclui milhões de pessoas e não meia dúzia, como, no final das contas, seria o resultado dessa militância de esquerda.
  • em 22-03-2019 às 01:23 Jonas
    Armani deu um show, parabéns. Não ao racismo mais de forma sensata e sem esquerdopatias.
  • em 21-03-2019 às 13:36 Armani Exchange
    Para piorar a situação, toda essa agenda de promoção de racismo encontra amparo em fundações americanas e europeias, interessadíssimas em romper com a unidade nacional, da qual a miscigenação é o começo, o meio e o fim. Não posso afirmar que essa moça seja patrocinada por A ou B - não sei - mas grande parte desses movimentos recebe, sim, apoio dessas fundações internacionais. Os índios são vítimas disso também. E é engraçado: aqui no Brasil, essas ONGs incentivam o povo a se entender ou como branco ou como negro ou como índio. Já nos EUA, onde a miscigenação praticamente não existe, essas mesmas ONGs incentivam - adivinhem - a miscigenação. De modo que, se a ideia é discutir a questão com seriedade, precisamos partir de alguns parâmetros que desagradam a esquerda, porque tornam nuas as bandeiras que defende, mas que terá, querendo ou não, que aceitar.
  • em 21-03-2019 às 13:22 Armani Exchange
    Corrigindo: "Sem" eles não seríamos nada.
  • em 21-03-2019 às 13:20 Armani Exchange
    E esse tal de "Aparelha Luzia", que ela criou e mantém, onde brancos não entram, é um exemplo cruel de promoção do racismo. É profundamente lamentável que exista. Aliás, levado ao pé da letra, nem ela própria deveria entrar nesse local, porque é praticamente impossível que essa senhora não tenha alguma coisa de indígena e de branco em seu DNA. É praticamente impossível que cada um de nós seja apenas negro, apenas branco ou apenas indígena. Isso é ciência e não ideologia desvairada de esquerda, fonte na qual a deputada se alimenta. De modo que não faz sentido algum esse tipo de raciocínio. Os negros deram - e dão - inteligência, cultura, gastronomia, religiosidade ao nosso país. Se eles, não seríamos nada. Mas o que deve ser celebrado, entre nós, é a fraternidade, a tolerância, a inclusão. E não o racismo!
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