por Redação MundoMais
Terça-feira, 04 de Junho de 2019
O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, afirmou ter "se curado" de ser gay com a ajuda de belas mulheres. Duterte é famoso por seus discursos e declarações repletas de impropérios e frases de efeito, ameaças e piadas sobre temas delicados, como o estupro.
A declaração foi dada durante um encontro com representantes da comunidade filipina em Tóquio na semana passada. Durante o discurso, Duterte sugeriu que um de seus principais críticos, o senador Antonio Trillanes, é homossexual.
Presidente filipino, Rodrigo Duterte, beija funcionária filipina em evento ao vivo na Coreia do Sul, em 2018
"Trillanes e eu somos similares, mas eu me curei", disse o presidente. Duterte afirmou que "se tornou um homem novamente" depois de conhecer aquela que agora é sua ex-esposa. "Mulheres bonitas me curaram", disse.
Durante a campanha presidencial, em 2016, Duterte manifestou apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas posteriormente mudou de opinião. Ele também já utilizou a homossexualidade como um insulto, inclusive contra o embaixador dos Estados Unidos nas Filipinas, Philip Goldberg.
O grupo Bahaghari, que defende os direitos de homossexuais e transgêneros, afirmou que os comentários de Duterte são perigosos e retrógrados. "É sintomático de doenças ainda mais graves: a ignorância, o preconceito e o ódio", destacou o grupo em um comunicado.
"Declarações como esta, como os comentários perversos e ofensivos contra as mulheres, não podem ser recebidas como algo leve ou descartadas apenas como piadas", completou o grupo.
A Organização Mundial da Saúde e a Associação Americana de Psiquiatria consideram a homossexualidade uma orientação sexual e não um distúrbio. As Filipinas têm uma reputação de tolerância a respeito da homossexualidade, mas analistas alertam que as proteções legais estão perdendo força.
Ao mesmo tempo, a Igreja Católica é muito influente em uma nação onde a maioria dos 106 milhões de habitantes se definem como fiéis. Aborto e divórcio são ilegais nas Filipinas, em parte pela grande resistência a mudanças por parte da Igreja.