por Redação MundoMais
Terça-feira, 01 de Outubro de 2019
Se os desafios da população LGBT são grandes, com a chegada da terceira idade eles só tendem a aumentar. Além de enfrentar preconceitos e lutar por direitos, eles precisam aprender a lidar com limitações, uma vez que sua saúde e vitalidade não são as mesmas. A situação se agrava ainda mais para aqueles que não têm a quem recorrer e vivem sozinhos porque foram banidos do convívio familiar, por opção ou porque os entes mais próximos morreram.
Em São Paulo, a ONG EternamenteSOU tem tentado mudar essa realidade. Fundada por um grupo de voluntários (assistentes sociais, pesquisadores, educadores, psicólogos, advogados), que hoje chega a 23 pessoas, desenvolve projetos voltados a idosos LGBT. "A velhice, de maneira geral, é discriminada pela sociedade. Como será então para idosos homossexuais? Nossa luta é contra a invisibilidade e já conseguimos impactar a vida de, pelo menos, 300 dessas pessoas", diz Rogério Pedro, presidente da ONG.
Para Diego Miguel, padrinho da ONG e especialista em gerontologia pela SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), o idoso LGBT é duplamente marginalizado, tanto pelo preconceito de origem homofóbica quanto pela velhice: "Há artigos que apontam para uma questão muito delicada, a de que idosos LGBT acabam descontruindo sua identidade de gênero, ou voltam para o armário, para serem aceitos e sentirem-se integrados à sociedade", diz.
Até o início desse semestre, a EternamenteSOU funcionava na região central de São Paulo, no Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas, que será desativado pela prefeitura em novembro. Com isso, a ONG, que está aberta a novos membros, doações e voluntários, opera provisoriamente na sede da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, também no centro da cidade. "Somos nós por nós mesmos. Mas esperamos crescer para ajudar a construir instituições para idosos LGBT por todo o país", diz o presidente da ONG, Rogério Pedro.