por Redação MundoMais
Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
A britânica Sara Gillingham tem variações em suas características sexuais, mas só as descobriu depois de adulta. Sua família havia dito a ela que as operações por que passou foram resultado de um parto prematuro.
"Minha memória mais antiga é que eu sempre me senti diferente, eu era meio 'moleque' (quando criança). Eu nunca me encaixei, mas não entendia por quê", diz Sara.
"Intersexual" é um termo genérico para descrever pessoas que nascem com diferentes tipos de variações biológicas em suas características sexuais, que não se encaixam nas típicas definições de feminino ou masculino. As diferenças podem envolver os genitais, os hormônios e os cromossomos. No passado, era utilizado o termo "hermafrodita" para se referir à condição, mas ele deixou de ser usado com referência a pessoas intersexuais por ser medicamente impreciso e ter conotações pejorativas.
No caso de Sara, os médicos acreditam que sua condição intersexual é um efeito colateral de um remédio tomado por sua mãe para prevenir aborto. Mas os casos de pessoas nascidas intersexo podem acontecer naturalmente, sem que haja nenhuma interferência durante a gravidez.
Sua história foi revelada em um momento em que especialistas dizem que o tratamento médico para pessoas intersexuais é uma espécie de "loteria" em que médicos escolhem aleatoriamente um gênero para as crianças e tentam conformá-las a ele, o que pode não ser o mesmo com o qual a pessoa vai se identificar no futuro.
Sara disse que as experiências médicas pelas quais passou na infância foram traumáticas.
Sara diz que se lembra de ser examinada em frente a estudantes de medicina quando era pequena. "As coisas que eles faziam eram muito dolorosas, então eu sabia em quais partes do meu corpo ele estavam operando."
Adulta ela ouviu de médicos que a sua condição foi causada pela progestina tomada por sua mãe durante a gravidez. A substância é um remédio para evitar aborto e está ligada a casos de pessoas nascidas intersexuais.
Após descobrir o que realmente foram as operações por que passou, Sara voltou ao hospital infantil Sheffield, na região inglesa de Yorkshire. Sua expectativa era ver os registros médicos de sua passagem pelo hospital.
O hospital, no entanto, disse que os relatórios médicos tinham sido destruídos.
Agora Sara faz uma campanha para mudar a forma como o sistema de saúde trata as pessoas que têm variações em suas características sexuais.
Gerentes do hospital dizem que agora estão dispostos a se encontrar com Sara para discutir suas preocupações.
O jurista Mitchell Travis, da Universidade de Leeds, pesquisou quais hospitais oferecem o melhor cuidado a pacientes intersexuais e diz que há uma enorme variação regional.
A secretaria de igualdade do governo britânico está reunindo provas sobre as experiências das pessoas intersexuais que foram maltratadas ao usar o sistema público de saúde do país há cerca de 20, 30 e 40 anos.
Fonte: BBC