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Adoção tardia ganha força com aumento do casamento gay no Brasil

Dado do Cadastro Nacional de Adoção evidencia que 76% das crianças disponíveis hoje nos abrigos têm 5 anos ou mais.

por Redação MundoMais

Sexta-feira, 22 de Outubro de 2021

Passados dez anos do reconhecimento das famílias homoafetivas pelo STF, cerca de 73 mil casamentos homoafetivos foram registrados entre 2011 e 2020 no país, segundo a Associação dos Notários e Registradores (Anoreg). São registrados em média sete mil casamentos homoafetivos em cartório por ano, o que representa aproximadamente 0,5% das uniões formalizadas no país.

A formalização dessas famílias têm contribuído para a adoção tardia, de crianças com mais de 5 anos, que usualmente são menos procuradas por quem quer aumentar a família. Dado do Cadastro Nacional de Adoção evidencia que 76% das crianças disponíveis hoje nos abrigos têm 5 anos ou mais.

A família do engenheiro de segurança do trabalho e ambiental, Márcio Toshio Uesugui, de 31 anos, e de Bruno Carramenha, empresário de 36 anos, apresenta essa composição (foto). Eles são pais de Débora, produtora cultural de 22, e Wesley, de 11, ambos frutos da chamada adoção tardia, que é quando as crianças já possuem um desenvolvimento parcial em relação a sua autonomia e interação com o mundo.

“Optamos por adotar crianças maiores, com quem tivemos a oportunidade de conviver, por meio do programa de apadrinhamento afetivo, o que nos permitiu nos conhecermos melhor e construirmos uma relação de afeto antes mesmo da decisão de adoção. Utilizamos nossas redes sociais, que conta com mais de dois mil seguidores no Instagram, para abordar a importância da diversidade e da inclusão”, comentou Bruno.

O casal explica que acredita que expondo sua rotina é possível normalizar a composição homoparental e difundir a adoção tardia. “Nossa ideia é levar informação de forma leve e descontraída, motivar e encorajar a adoção de crianças mais velhas, inclusive por pais LGBTQI+. Ao compartilhar nossa rotina, podemos aproximar os seguidores da nossa realidade, uma oportunidade de quebrar preconceitos e inspirar outras pessoas”, explicou Bruno.

Para a especialista em diversidade Maíra Carvalho é relevante a pluralidade familiar como uma quebra de paradigmas e avalia a importância de famílias como a de Bruno e Marcio: “É muito representativa já a partir da sua composição, com um casal homoafetivo formado por um homem branco e outro asiático, uma criança e uma jovem negra, e ao dividir sua rotina eles contribuem para questionarmos tradições, quebrarmos paradigmas e refletirmos sobre a forma plural de parentalidade que é possível alcançarmos”.

Segundo uma matéria publicada no Exame, em 2018, houve um aumento de 340% dos casamentos gays quando comparado a 2017. A informação veio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.

Para efeito de comparação, em 2017 pessoas do mesmo sexo que se casaram somaram 1.193 entre os meses de novembro e dezembro. Já em 2018, foram 4.027 casamentos. Entre as lésbicas, o salto foi de 549 em novembro de 2018 para 1906 em dezembro, enquanto entre os gays subiu de 408 para 1.192.

Ainda segundo o estudo, as uniões entre as mulheres cresceram 64,2%, passando de 3.387 em 2017 para 5.562 em 2018. Já o casamento entre os homens subiram de 2.500 para 3.958, um aumento de 58.3%.

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