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Fiscalização resgata 31 travestis e transexuais do trabalho escravo sexual

Profissionais do sexo eram forçadas a trabalhar com base em ameaças e presas a dívidas contraídas até com implante de silicone nos seios.

por Redação MundoMais

Segunda-feira, 21 de Março de 2022

Quarto de vítimas de trabalho escravo para exploração sexual em Uberlândia (MG).

O grupo especial de fiscalização móvel resgatou 31 mulheres transexuais e travestis de condições análogas à escravidão, em Uberlândia (MG) e Criciúma (SC), em operação iniciada na última terça (15). Profissionais do sexo, elas eram forçadas a trabalhar com base em ameaças e fraudes e presas a dívidas contraídas até com o implante de silicone nos seios. A ação faz parte da sexta fase da Operação Libertas, desencadeada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de Minas Gerais. E contou também com a participação da Inspeção do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho, da Defensoria Pública da União, da Polícia Militar (em Minas Gerais) e da Polícia Federal (em Santa Catarina).

A investigação do Gaeco mostrou que elas não atuavam como prostitutas com autonomia, mas eram violentamente exploradas por duas organizações criminosas parceiras e obrigadas a permanecer nesse vínculo.

De acordo com o auditor fiscal do trabalho Magno Riga, que coordenou a fiscalização, o endividamento ocorria, por exemplo, via financiamento de procedimentos estéticos. Um deles, o mais caro, era a colocação de próteses de silicone nos seios, muitas vezes sob condições sanitárias duvidosas. E, segundo ele, silicone industrial era utilizado para alterações em outras partes do corpo, colocando em risco a vida das vítimas.

"Elas se sujeitaram a isso como forma de financiar sua transformação corporal, ou seja, de estar bem com o seu próprio corpo. Se houvesse uma política pública realmente acessível, a maioria não recorreria à prostituição e não seria vítima de violência desde a adolescência", afirma Magno.

Vale lembrar que os procedimentos de readequação sexual são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que não significa que estejam, de fato, acessíveis a todas.

As cafetinas responsáveis pelas organizações criminosas ordenavam que as vítimas ficassem alojadas em suas pensões, cobrando uma diária, o que também gerava uma dívida. Para poderem trabalhar como prostitutas, elas tinham que se sujeitar a pagar essa diária, mesmo que não usassem a estrutura. Como uma máfia que cobra pelo direito de poder trabalhar.

Segundo a fiscalização, multas eram aplicadas para quem infringisse as regras, como chegar fora do horário, com o objetivo de aumentar ainda mais o endividamento e garantir que elas não conseguissem sair daquela situação. Quanto mais ganhavam com os programas, maior era o valor dessas multas.

Violência e agressão

A auditora fiscal do trabalho Jamile Virgínio destaca o uso do medo como instrumento de controle por parte das empregadoras. Casos de violência e de agressão eram disseminados entre elas, garantindo um controle da vida pessoal e da prestação de serviços de uma maneira eficiente.

“Uma das histórias que circulavam entre elas era o de uma mulher que, por ter desobedecido, teve os implantes de silicone arrancados sem anestesia. Essas histórias geravam medo e mantinham a disciplina”, afirma.

Esse tipo de terror atingiria em cheio qualquer pessoa, mas no caso de travestis e transexuais ganhavam um contorno ainda pior por conta de sua vulnerabilidade. Dado o preconceito, esse grupo sofre com a dificuldade de inserção na sociedade e no mercado de trabalho, sendo muitas vezes empurrado para a prostituição. É aproveitando-se desse contexto que agiam essas organizações criminosas.

“As regras eram tão abusivas que, na prática, elas chegavam a pagar para se prostituir. Trabalhavam em troca de teto, comida e o direito de poderem trabalhador”, afirma Jamile.

Quando alguém não queria se vincular às organizações, era vítima de ameaças e agressões físicas. Há casos de vítimas que quase morreram, espancadas.

A ex-vereadora de Uberlândia Pâmela Volpi é apontada pelo Gaeco como uma das líderes da organização criminosa que explora travestis e mulheres trans. Ela está presa de forma preventiva, desde novembro do ano passado, por conta da tentativa de homicídio de uma travesti. Endereços visitados pela operação de fiscalização estavam em seu nome.

A coluna tentou contato com os advogados da ex-vereadora e trará sua posição tão logo seja possível.

Ameaçadas e endividadas

No sistema de “barracão” (truck system), os trabalhadores ficam presos a uma dívida contraída pela cobrança, a preços abusivos, de instrumentos de trabalho, alimentos e bebidas. Este caso não foge à regra, com a dívida sendo criada ilegalmente sobre elementos que seriam usados pelas profissionais do sexo em seu trabalho, como perucas, lingerie, perfumes, além do silicone já citado.

A fiscalização está calculando o valor devido pelas organizações às trabalhadoras, mas os fiscais do trabalho estimam que, se os empregadores tiverem que pagar todos os direitos e salários atrasados, o montante será de cerca de R$ 3,7 milhões.

Elas já foram cadastradas no seguro-desemprego concedido aos resgatados do trabalho escravo e receberão o benefício por três meses. Vale lembrar que a prostituição é atividade laboral prevista no Código Brasileiro de Ocupações. O que é ilegal é a exploração da prostituição por terceiros e, claro, o trabalho escravo.

23-03-2022 às 20:11 Gásóelo
Para completar: concordo com o Rennan: e aí, lacradores?... Vocês que adoram identificar homofobia em qualquer bobagem, inclusive, como divulga matéria aqui, em escola católica que recomenda isso ou aquilo em relação à conduta homossexual? E aí, PSOL?... E aí, Jean Wyllys?... Vem cá: vocês não vão denunciar esse pessoal nos organismos internacionais de direitos humanos?... Tem coisa pior do que essa?... Claro, lógico: esse povo só quer lacrar. Por isso, não passam de um bando de demagogos, mentirosos, a quem a violência contra gays e trans é o que, no fundo, menos interessa.
23-03-2022 às 20:07 Gásóelo
Todo mundo sabe. Todo mundo: o cachorro, o gato, o cavalo e, claro, o MP, em qualquer de suas esferas e unidades da federação, as polícias civil, militar, municipal, federal. O escambau. Todo mundo sabe que travestis são exploradas nas ruas, nos locais onde vivem, por cafetinos, cafetinas, pessoas violentas, inescrupulosas. Não raro, são gays e outros travestis, e não necessariamente homens e mulheres heterossexuais, que exploram gays, putas, trans e por aí vai. Aí, de repetente, MP e polícias surgem, apavorados, como se acabassem de descobrir a exploração desses seres humanos, como se acabassem de descobrir que, por trás disso tudo, se encontra, não raro, uma bem organizada, regional ou internacional, quadrilha de criminosos, que explora, que humilha, que assassina, que tortura, que prende em cárcere privado. Gente, pelo amor de Deus, enfiem no cu de cada um de vocês uma palavrinha mágica chamada "hipocrisia". Aliás, enfiem duas: hipocrisia e fata de vergonha na cara.
22-03-2022 às 12:11 Eu
Ki bom.
22-03-2022 às 01:35 Rennan
O 'submundo' que muitas vezes a lacrolandia/pseudo-militante LGBTQIA+ fazem vista grossa como se não existisse "fogo amigo". Onde as pessoas do próprio meio, são as exploradoras...