por Redação MundoMais
Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2023

Thiago Salvático e Gugu Liberato tiveram um relacionamento de oito anos até o dia da morte do apresentador, em 2019, mas o juiz José Walter Chacon Cardoso, do Tribunal de Justiça de São Paulo, protocolou uma decisão no dia 15 de dezembro de 2022 em que definiu que os dois não tinham uma união estável, mas eram “apenas amigos”. A notícia caiu como uma bomba na vida do chef de cozinha, o que reforçou o estigma da inexistência dos relacionamentos LGBTQIA+.
Em entrevista, Thiago declara que é um absurdo ser tratado como amigo de Gugu, mesmo depois de ter apresentado diversos tipos de provas como prints de conversas de WhatsApp, fotos de viagens em diversos anos e indicado testemunhas que conviveram com o casal. Ele questiona o motivo pelo qual esses documentos foram desconsiderados pelo magistrado.
“O juiz teria uma conta conjunta com o amigo? Daria a senha do Instagram para o amigo (ainda mais no caso de uma pessoa pública)? Viajaria o mundo sempre com esse mesmo amigo, em todos os momentos livres que tivesse? Faria fotos românticas? Trocaria mensagens diárias compartilhando a vida e mensagens de amor? Dormiria junto nos hotéis, casas ou onde estivessem? O juiz acredita mesmo que o Gugu faria isso com um ‘amigo’ por anos e anos? Se as mesmas perguntas fossem feitas ao juiz sobre uma relação heterossexual, duvido que ele enxergaria apenas ‘amizade’", desabafa.
O chef de cozinha, que atualmente mora na Alemanha, acredita que tenha sido vítima de preconceito, mesmo depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu no dia 5 de maio de 2011 a existência e a legitimidade de uma relação entre duas pessoas do mesmo gênero . Para Thiago, quando uma pessoa pública como Gugu não tem sua relação reconhecida, dá mais força para que o judiciário renegue esse direito a outros casais da comunidade LGBTQIA+.
“A partir do momento em que há uma diferença na resposta apenas por se alterar o gênero de um dos companheiros, configurado está que houve alguma espécie de preconceito. Essa decisão é o reflexo do que muitos casais homoafetivos passam no Brasil. Por que a resposta para dois homens é diferente?”, indaga. “Esse preconceito não pode existir no Poder Judiciário e claro que, de certa forma, quando um caso como esse cai na mídia, acaba influenciando toda a comunidade. Com certeza, inúmeros outros casais homoafetivos passam pelo mesmo preconceito que eu estou passando.”
Ele diz que se sentiu injustiçado pela decisão porque produziu e apresentou todas as provas e conta que “o juiz sequer deixou o processo andar”. Thiago reclama que protocolou o pedido, o caso foi negado, as testemunhas não foram ouvidas e o casal foi carimbado como "amigos".
“Não deu a oportunidade de mostrar toda a história também ouvindo as pessoas, todos que sabiam da nossa união, enfim, todo o procedimento que qualquer ação de união estável passa. Acredito que vamos reverter essa decisão no Tribunal, espero que os desembargadores sejam mais respeitosos com as relações homoafetivas, e o final do processo será diferente, reconhecendo a verdade, que é a nossa união”, acredita.