ASSINE JÁ ENTRAR
Promocao
Promocao

Justiça condena lanchonete por transfobia e vítima deve ser indenizada

Julie Correia, de 29 anos, contou ter perguntado a direção do banheiro feminino, mas foi indicada a ir no masculino. Caso aconteceu em Santos (SP).

por Redação MundoMais

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2023

Uma mulher transgênero, de 29 anos, que afirma ter sofrido transfobia em um restaurante em Santos, no litoral de São Paulo, deverá ser indenizada em R$ 30 mil por danos morais. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu pela condenação em 2ª instância. A sentença foi assinada em fevereiro, pouco mais de um ano após o caso, denunciado em 2022. O termo "transgênero" ou "trans" se refere a uma pessoa cuja identidade de gênero não corresponde à do sexo de nascimento.

Ao g1, a defesa do estabelecimento negou as acusações e disse que vai recorrer à decisão. Segundo o advogado Reginaldo Mascarenhas, não houve transfobia e "inexistiu o impedimento dela usar o banheiro".

A nutricionista e cabeleireira Julie Correia Araujo contou, em entrevista à época dos fatos, que foi vítima de transfobia ao perguntar sobre o banheiro feminino da lanchonete. O estabelecimento fica na Avenida Conselheiro Nébias, no bairro Boqueirão. Segundo ela, um funcionário teria apontado para o sanitário masculino e dito que ela teria que usá-lo, pois era um "homem".

A vítima registrou um Boletim de Ocorrência (BO), e o caso foi levado à Justiça. Em setembro de 2022, a 2ª Vara do Juizado Especial Cível de Santos julgou a ação como improcedente [sem fundamento], alegando que Julie "jamais foi impedida de usar o banheiro feminino" e que “tudo não passou de um grande mal-entendido”.

A defesa de Julie enviou um pedido de recurso que foi analisado e julgado pela 3ª Turma Cível do Colégio Recursal de Santos em fevereiro de 2023. Os juízes Orlando Gonçalves de Castro Neto, Renata Sanchez Guidugli Gusmão e Frederico dos Santos Messias condenaram a lanchonete a pagar R$ 30 mil por danos morais por transfobia.

“As pessoas trans [...] estão amparadas pelo princípio da dignidade da pessoa humana e são titulares dos direitos da personalidade. A identidade de gênero é uma escolha pessoal. À sociedade, resta a função de romper com o paradigma [padrão] da patologia estruturada sob a doutrina binária [feminino ou masculino] e transmutar-se [mudar] para o plano de construções de identidade de gênero por meio da cultura e do meio social [...] e permitir ao sujeito expor o seu ser, externar suas escolhas e desejos, sem o receio de ser excluído, discriminado ou violentado”, ressaltou o juiz relator Castro Neto.

O advogado Reginaldo Mascarenhas, que defende o estabelecimento, afirmou que "inexistiu transfobia" e que irá recorrer da decisão. O profissional acrescentou que os magistrados teriam julgado uma afirmação que saiu na mídia, comparando a mulher a um "ladrão".

"A decisão de segunda instância foi fundamentada em matéria de jornal que atesta a fala do dono [da lanchonete] que nunca aconteceu e não em produção de prova. A suposta fala em jornal nunca existiu, não sabemos de onde tiraram isso", disse o advogado.

Ele continuou: "O juiz de segunda instância se apega a essa suposta fala dizendo que no jornal o dono equipara ela a um ladrão, e isso, além de não ter acontecido, não faz parte do reclamo. Inclusive, inexistiu o impedimento dela usar o banheiro, por isso o juiz de primeira instância foi tão certo na decisão".

Relembre o caso

A nutricionista e cabeleireira relatou à época que voltava da praia com familiares e amigos, quando decidiram parar para almoçar no estabelecimento. Em determinado momento, os primos dela foram até o caixa para acertar a conta, e Julie procurou por um banheiro, abordando um dos funcionários para pedir a informação.

"Eu dei boa tarde e perguntei onde ficava o banheiro feminino. Aí, ele falou assim para mim: Você não pode usar o banheiro feminino, porque você é homem. Sabe quando você não está esperando? Porque eu simplesmente perguntei onde era o banheiro. Poderia ser para mim ou para qualquer outra pessoa. Eu não falei que era eu quem ia usar o banheiro", explicou.

Irritada, ela conta que chegou a xingá-lo de "babaca", e se dirigiu ao caixa para perguntar sobre o gerente. Contudo, ouviu mais uma vez que não poderia usar o toalete feminino. "Me disseram que era proibido. Você é homem. Ou seja, ele reiterou aquilo que o funcionário tinha falado". Após insistir, Julie conseguiu usar o banheiro feminino naquele mesmo dia.

Após o episódio, a cabeleireira se posicionou em uma página que administra nas redes sociais e fez uma denúncia de transfobia no 7º Distrito Policial (DP) de Santos.

16-02-2023 às 20:08 Monik " A verdadeira "
Obrigada Crente Conservadora. Acho que vou engravidar em setembro. Vou parar de tomar anticoncepcional. Meu médico me garantiu
14-02-2023 às 23:48 Crente Conservador Bolsonarista
Monik que bom que agora você é mulher de verdade e não precisa mais passar por essas situações constrangedoras. Se eu fosse o funcionário ou o dono do restaurante eu também não ia jamais deixar ela usar o banheiro feminino. Mas como eu sou de direita e sei me compadecer das dores do meu próximo eu seria bem mais educado e falaria que o banheiro está fechado por conta de manutenção e vazamento.
14-02-2023 às 22:28 Sincerah
Cirurgia de feminização facial...
14-02-2023 às 16:27 Sincerah
Claro que foi um absurdo o que aconteceu. Mas olhando pela ótica do "copo meio cheio", enfim agora ela poderá fazer a cirurgia de feminização fácil e quem sabe não passar mais por isso...
14-02-2023 às 15:15 Tuta
Num sei de nada, só bservo.
14-02-2023 às 11:04 Monik " A verdadeira "
Porisso fiz logo a cirurgia. Qualquer problema já levanto o vestido e desço as calcinhas. Já fiz isso várias vezes pra provar que sou mulher e mereço respeito