por Redação MundoMais
Quinta-feira, 09 de Março de 2023

Era 2019 quando Bruno Fagundes se encantou com o espetáculo "A Herança" ("The Inheritance") na Broadway, 12 atores no palco narravam os dilemas e dramas de diferentes gerações de homens gays de forma ousada, tanto no formato inédito — dividido em duas partes — quanto em relação à nudez dos atores — à cena de nu frontal. Quase quatro anos depois, ele e o diretor Zé Henrique de Paula são um dos responsáveis por trazer ao Brasil o texto de Matthew Lopez. A peça estreia hoje (9) no Teatro Vivo, em São Paulo, com ingressos a partir de R$ 50.
O tema da peça se aproxima do que o filho de Antônio Fagundes vive na atualidade. Recentemente, ele falou pela primeira vez sobre sua sexualidade após assumir relacionamento com Igor Fernandez.
"Meus trabalhos são uma manifestação do meu inconsciente. Quando eu assisti essa peça, em 2019, veio como um baque para mim porque fala da existência LGBT, com um recorte homem cis e gay. Quando vi a peça, pensei: 'preciso levar essa história'... Peguei a peça, coloquei no colo e estou usando todo meu esforço, conhecimento e maturidade para levantar essa peça da forma mais digna", conta Bruno. "Casou muito com o momento que eu estou agora. É bom que seja assim porque a peça vai tocar em temas importantes para mim e para a comunidade. Estou feliz em poder realizar isso", comemora.
O principal desafio para montar "A Herança" no Brasil é o seu formato inédito. Ela conta com cinco horas e meia de duração, encenada em dois dias diferentes. A história é única, com uma estrutura linear. Nas primeiras semanas em cartaz — entre 9 e 16 de março, exibida a parte I do espetáculo. A estreia da parte II está marcada para o dia 24. A partir daí, a parte I será exibida às quintas e sábados e a parte II será apresentada às sextas e aos domingos.
"É quase a ideia de maratonar uma série, só que no teatro, com os atores ali ao vivo", brinca o o diretor Zé Henrique. Além de ousar no formato, a produção também chama atenção pela ousadia em cena. Assim como na versão da Broadway, os atores exploram bastante a sensualidade dentro do contexto da história.
"Existe um nu frontal. A nudez vai deixando de ser um tabu, né? Já não é vista como uma coisa escandalosa ou o ofensiva. É um momento muito bonito, delicado e que passa muito rapidamente. A nudez não é uma dos pontos importantes da peça. A atração da peça é realmente o texto dela", completa Zé Henrique.
A história
A peça tem início quando Eric (Fagundes), prestes a ser despejado de seu apartamento, se aproxima de Henry (Reynaldo Gianecchini) e Walter (Marco Antônio Pâmio), formando um triângulo amoroso, na tentativa de se compreender durante a turbulenta ascensão de seu recém noivo, Toby, (Rafael Primot) à fama. Porém, quando Adam (André Torquato) surge em suas vidas, três gerações colidem e redefinem suas concepções sobre amor, afeto, perda, saudade e amizade.
Bruno reforça que "A Herança" é uma saga que ganhou 39 prêmios em sua temporada norte-americana e foi considerada pelo jornal inglês Daily Telegraphy como um dos textos mais importantes do século XXI.
Após ensaios abertos para pequenos grupos, a expectativa é que a obra também seja bem recebida no Brasil. Zé Henrique acredita que o texto traz empatia nos personagens e suas histórias.
"São Paulo é a maior metrópole da da América Latina. A gente faz a maior parada gay do mundo. Tem um público muito ávido por se reconhecer no palco. Também não é uma peça só sobre isso. Ela é uma peça sobre a nossa humanidade, tristezas, alegrias, dores, desafios e conquistas. Então, é extremamente humana... Essa peça é sobre orgulho e faz com que as nossas histórias se tornem histórias universais, não de um gueto ou de um nicho", pondera Zé.
Serviço
A Herança
• Estreia: 09 de março (parte I); 24 de março de 2023 (parte II)
• Local: Teatro Vivo - Av. Chucri Zaidan, 2460 - Vila Cordeiro, São Paulo
• Temporada: até 30 de abril
• Ingressos: a partir de R$ 50 (meia), via Sympla
• Classificação: 16 anos