por Redação MundoMais
Terça-feira, 28 de Março de 2023

A Justiça do Tocantins determinou que o responsável por postar um vídeo com falas LGBTfóbicas retire o conteúdo das redes sociais.
No registro, um homem critica uma vaga de estacionamento no Palmas Shopping, na capital do Estado, que está sinalizada com o símbolo que representa as pessoas neurodiversas - aquelas que têm autismo, TDAH e dislexia. O homem confundiu a figura com o símbolo do movimento LGBTQIAP+.
“Aqui ao vivo, já tem vaga para pessoas neurodiversas, quer dizer, poder ser gay, lésbica, sapatão... a desgraça que tiver aqui em Palmas", disse o homem em um tom LGBTfóbico e de desinformação. Ele ainda aproveitou para criticar o atual governo presidencial : "Isso aqui é PT".
Em caso de descumprimento da ordem judicial, foi estabelecida uma multa diária no valor de R$ 200 até o limite de 100 dias-multa.
“Não se olvida que a liberdade de comunicação e expressão não são absolutas, uma vez que vedam o excesso na divulgação das informações que possam expor indevidamente a intimidade ou acarretar danos à honra e à imagem das pessoas, ou que venham a ofender a dignidade do cidadão”, diz trecho da decisão assinada pelo juiz José Maria Lima, da 2ª Vara Cível de Palmas.
O caso foi denunciado à 1ª Delegacia Especializada de Atendimento a Vulneráveis (DAV - Palmas), que deverá investigar os ataques homofóbicos.
Luta por reconhecimento
A fundadora da Associação Anjo Azul, Rosa Helena Ambrósio de Carvalho contou que não adotou medidas legais porque os ataques não foram direcionados aos autistas. Para ela, o fato demonstrou que as pessoas não têm conhecimentos sobre os símbolos do movimento.
“O autismo é uma deficiência não visível e por isso a gente utiliza os símbolos para identificar: o laço com o quebra-cabeça colorido, o colar do girassol. O alerta que a gente sentiu é que precisamos difundir ainda mais os símbolos por conta de as pessoas não terem conhecimento. Vê lá colorido e confunde a pauta LGBT e com a do autismo, embora seja preconceito da mesma forma. Tanto LGBT como autista, a gente briga contra o preconceito”, disse.
Segundo ela, a iniciativa do estabelecimento em disponibilizar uma vaga para o público neurodiverso é de grande importância, principalmente no caso do autismo, devido à deficiência sensorial.
“A deficiência do autista é sensorial. Eles não conseguem esperar. Ele chega à porta do shopping e imagina que lá dentro está o lanche preferido, o brinquedo preferido. O tempo que a família procura uma vaga ele pode se desregular e inclusive desencadear uma crise”, comentou.