por Redação MundoMais
Terça-feira, 30 de Junho de 2026

A International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association (ILGA World) divulgou a atualização de seu banco de dados global e dos mapas sobre a situação legal da população LGBT+ no mundo. Os números mostram que, apesar de avanços em alguns países, milhões de pessoas ainda vivem sob leis que restringem direitos fundamentais e colocam suas vidas em risco.
Segundo a organização, 65 países-membros da ONU ainda criminalizam relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo. Em sete países, a legislação continua prevendo a pena de morte para esse tipo de relação, enquanto outros cinco mantêm um cenário de insegurança jurídica sobre a aplicação dessa punição.
O levantamento também revela que 63 países possuem leis que restringem a liberdade de expressão relacionada à diversidade sexual e de gênero, dificultando campanhas de conscientização, atividades educacionais e até manifestações públicas de apoio à comunidade LGBT+. Além disso, 61 países impõem barreiras legais ao funcionamento de organizações que defendem os direitos da população LGBT+, limitando o trabalho de entidades da sociedade civil.
Ao mesmo tempo, o relatório destaca avanços importantes. Atualmente, 37 países e Taiwan reconhecem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Outros 17 países proíbem nacionalmente as chamadas “terapias de conversão”, enquanto 18 adotaram sistemas de reconhecimento legal de gênero baseados na autodeterminação, permitindo que pessoas trans alterem seus documentos sem exigências médicas invasivas.
Outro dado considerado histórico pela ILGA é que nove países já proíbem intervenções médicas não essenciais e sem consentimento em crianças intersexo, medida vista como um avanço na proteção da integridade corporal dessas pessoas.
Na Europa, o relatório anual Rainbow Map 2026, elaborado pela ILGA-Europe, também apontou mudanças significativas. A Espanha assumiu a liderança do ranking europeu de proteção aos direitos LGBT+, encerrando uma década de liderança de Malta. O estudo ainda alerta para retrocessos em alguns países e para o crescimento de pressões políticas que ameaçam conquistas históricas da comunidade.
Para a ILGA, os dados reforçam que o Mês do Orgulho continua sendo mais do que uma celebração: é também um momento de lembrar que milhões de pessoas ainda enfrentam discriminação, violência e restrições legais apenas por sua orientação sexual, identidade de gênero ou características sexuais.