ASSINE JÁ ENTRAR

Erom Cordeiro diz que escondeu sexualidade por medo de perder papéis na TV

Intérprete de Zeca em 'América' relembra o beijo gay cortado da trama, e diz que o cenário para artistas LGBT+ mudou com o avanço do streaming.

por Redação MundoMais

Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026

Conhecido por interpretar o peão Zeca em “América” (2005), Erom Cordeiro, 49, afirma que evitou falar publicamente sobre sua orientação sexual no início da carreira por receio de comprometer oportunidades na televisão. O ator relembra que, há duas décadas, assumir-se gay poderia significar menos papéis em novelas e, por anos, acabou “performando uma heterossexualidade”.

“Dentro dos meus círculos, isso sempre foi natural. Mas, para a imprensa e para o grande público, existia uma curiosidade enorme. Fui performando uma heterossexualidade para atender ao que se esperava e dava respostas misteriosas. Hoje, não me preocupo mais com isso”, disse.

Segundo o ator, o receio estava ligado principalmente ao mercado televisivo. Para ele, o teatro e o cinema já ofereciam maior liberdade, cenário que se ampliou com a chegada das plataformas de streaming. “Na televisão, com certeza eu poderia perder papéis. No teatro e no cinema, acho que não.”

Erom também relembrou a repercussão do romance entre seu personagem e Júnior, interpretado por Bruno Gagliasso, na trama de Gloria Perez. A história se tornou uma das primeiras relações homoafetivas retratadas no horário nobre daGlobo. O ator recordou a expectativa em torno do beijo que seria exibido no último capítulo da novela, mas acabou cortado da versão final. Para ele, a decisão simbolizava os limites impostos à representação LGBT+ na TV aberta naquele período.

Embora tenha assumido publicamente sua sexualidade anos depois, Erom afirma que a carreira nunca foi interrompida. Após uma sequência de novelas, passou a concentrar trabalhos no teatro, no cinema e em produções para plataformas digitais.

“Nunca deixei de trabalhar. Fiz muitas peças, filmes e projetos para o Globoplay. Mas, naquele momento, minha sexualidade poderia, sim, influenciar minha trajetória”, declarou.

Há dez anos, Erom mantém um relacionamento com o ator Rodrigo Bolzan. O casal mora junto em São Paulo há cerca de três anos. Segundo ele, a rotina compartilhada facilita a compreensão das demandas da profissão. “As agendas nem sempre coincidem, mas a gente entende o universo do outro. Isso acaba tornando tudo mais simples”, afirmou.

06-08-2026 às 14:54 Sampa
Entendo a hesitação do ator em falar abertamente sobre sua sexualidade no passado. Quarenta anos atrás, ser gay significava viver à margem da sociedade; há trinta, a homossexualidade ainda era tratada como patologia; há vinte, continuava estigmatizada por ideias de perversão e imoralidade, mesmo com os primeiros avanços na busca por aceitação. Somente nos últimos dez anos é que a conquista de direitos e o respeito mínimo começaram a se consolidar — lembrando que o casamento igualitário só foi reconhecido em 2013. Por isso, deixo um recado aos mais jovens: respeitem a trajetória dos gays mais velhos. Foram eles que enfrentaram as piores barreiras para que hoje vocês pudessem viver com menos medos e amarras.
06-08-2026 às 06:50 O PROFE PUTAO
Concordo.
05-08-2026 às 16:50 Odi-Céia
Bunito, esse actor!