ASSINE JÁ ENTRAR
Promocao
Promocao

Heartstopper Brasileiro: atores de 15 Dias, romance LGBT da Netflix, detalham cenas de intimidade

Diego Lira e Miguel Lallo falaram da estreia no streaming, inseguranças e desejo de transformar o filme em série.

por Redação MundoMais

Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026

Estrelado por Diego Lira (Caio) e Miguel Lallo (Felipe), o romance adolescente Quinze Dias acaba de chegar à Netflix. No longa-metragem, Felipe, um garoto gordo que sofre bullying, se vê ansioso pelas férias para colocar os hobbies em dia, ler e ver séries. Os planos, porém, vão por água abaixo quando a mãe dele decide hospedar Caio, um garoto atlético, enturmado, mas que, no fundo, também acumula inseguranças.

Em entrevista, Diego Lira e Miguel Lallo falaram sobre a estreia global no streaming, os desafios enfrentados durante as gravações, a construção da intimidade para as cenas românticas e, claro, sobre o apelido de ‘Heartstopper Brasileiro’, algo que começou nas redes sociais de forma negativa, mas que foi ressignificado com o tempo.

“É gratificante, principalmente se você pensar no tamanho que isso pode tomar. Já não é só Brasil, estamos falando de algo que vai ser dublado e adaptado para outras línguas”, falou Diego Lira.

“É especial estar na Netflix, porque a gente está falando de algo mais acessível que o cinema. E acho que, quando a gente fala de um filme LGBT, um romance gay, a acessibilidade não é só necessária, é fundamental”, completou Miguel Lallo.

‘Despindo inseguranças’

Ambos estreantes no cinema, os rapazes tiveram que superar as próprias inseguranças para imergir nos personagens. Miguel Lallo, por exemplo, não nega que se sentiu atravessado pelas vivências de Felipe, um menino gordo e que sofre bullying. Segundo ele, as gravações serviram como ‘sessões de cura’.

“Quando eu li o texto do Felipe, eu falei: ‘Nossa, sou eu!’. Achei que ia ser fácil, mas, quando você para em um set e percebe que milhares de pessoas vão ver aquilo, às vezes você sem roupa, às vezes em um ângulo que não te favorece, você tem que abrir mão de todas as suas inseguranças. Mas uma coisa que eu falava muito com o terapeuta é: ‘Eu preciso aceitar que doa mais em mim para doer menos em outras pessoas’. Porque, por muito tempo, também me senti sozinho, me senti calado, me senti humilhado, me senti excluído e esse filme me salvou enquanto ator e pessoa, então eu pensava muito nisso”, falou Lallo.

Na trama, Diego Lira ficou encarregado de fazer o papel de ‘galãzinho’. Porém, se engana quem pensa que a pressão estética não o afetou. Em diversos momentos, ele contestou a si mesmo sobre sua aparência.

“Olha, o Caio [personagem] foi um presente pra mim. Quando ele chegou, a gente tinha esse lance de: ‘Ok, ele vai ser o padrão da história’, o crushzinho, algo que nunca foi real pra mim. Então, eu também tive que me desprender de tudo, do meu ego, e também tinha essa pressão de, tipo: ‘Tá, mas e se não acharem que eu sou bonito o suficiente? E se acharem que eu não sou padrão suficiente? E se tal ângulo não ficar bom?’”, falou Diego.

‘Construindo intimidade’

No filme, em uma divertida jornada ao estilo ‘frenemies’, os protagonistas acabam entendendo que não são tão diferentes quanto pensam, se aproximam e se abrem para o desconhecido. Os atores garantem que as aguardadas cenas de romance, apesar da ‘química’ que pode ser vista nas telas, não foram improvisadas, mas muito bem construídas.

“A gente trabalhou com a Maria Sílvia, como preparadora de intimidade, e que eu acho que é excepcional hoje em dia, em qualquer trabalho de audiovisual. A gente teve todo um cuidado, uma delicadeza. A gente não só chegou e o diretor falou: ‘Vai, agora beija’. Teve todo um cuidado por trás, porque eram cenas delicadas, era um primeiro contato dos dois personagens, de se sentir. São duas pessoas distintas, então foi aos poucos, sentindo o toque do outro, e tudo isso levou tempo”, relembrou Diego.

“As pessoas acham que às vezes é no improviso, ou porque fica muito natural ou muito real, mas, com a Maria Sílvia, a gente ensaiava muito. O toque da mão que ia para a camiseta, da mão que ia para o pescoço, era muito bem ensaiado, o que é importante para dar segurança para o ator ficar confortável no set”, completou Miguel.

‘O Heartstopper brasileiro’

Débora Falabella interpreta a mãe do personagem Felipe, vivido por Miguel Lallo.

Animado, romântico e com temática LGBT, o filme ganhou o apelido de ‘Heartstopper Brasileiro’ entre o público, o que não desanimou em nada os protagonistas da trama.

“Olha, é uma honra [ser comparado]. É um trabalho lindo, não tenho que falar sobre ‘Heartstopper’, é um projeto muito bem construído, os atores são muito bons e, enfim, acho que são referência. E acho que a Netflix ter ‘abraçado’ isso deu uma abaixada na poeira, porque tinha muita gente comentando [a semelhança], mas querendo zoar”, lembrou Diego.

“Ai, eu achei incrível. É uma série muito, muito boa, é o mesmo universo, foi uma série que serviu de inspiração estética para o nosso filme também e ter coligado isso tem tudo a ver. Eu, inclusive, iniciei minha campanha também para Quinze Dias virar uma série, sabe? Falei que esse filme não pode ser o fim, quando o povo comentou: ‘Heartstopper brasileiro’, eu falei: ‘É isso mesmo, acho que é uma honra’”, conclui Miguel.

Aos interessados, com classificação etária de 14 anos, Quinze Dias já está na Netflix.