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Miguel Falabella explica por que sempre evitou rótulos sobre sua sexualidade

Ao recordar o cenário cultural das décadas passadas, o artista reconheceu que o preconceito existente influenciava suas decisões.

por Redação MundoMais

Terça-feira, 25 de Agosto de 2026

Miguel Falabella abriu o coração sobre a vida pessoal e chamou atenção ao confessar o motivo pelo qual buscou preservar a intimidade da família ao longo da carreira. Durante participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, o ator e diretor contou que preferiu manter os filhos, Theo, de 30 anos e Cassiano, de 28, distantes da exposição provocada por sua carreira. “Nunca expus porque achava que eu era uma pessoa pública e não eles. Graças a Deus, são dois homens incríveis”, afirmou. Além disto, Falabella também aplicou a medida a suas questões relacionadas à sexualidade, e explicou que jamais quis transformar sua identidade em uma definição pública ou permitir que sua trajetória fosse reduzida a um rótulo.

“Não queria ser colocado em uma prateleira. Depois que te colocam, não sai mais… Nunca quis ter rótulos. Me blindei mesmo”, declarou Miguel. O ator, que atualmente namora o empresário Alexandre Altoé, apontou o impacto de ter tornado sua relação amorosa pública.

"Nunca me interessei pela vida de ninguém, nunca permiti que se interessassem pela minha. Agora botei uma foto do Alexandre no Instagram, e foi um desespero. O que é isso, gente? Que desespero é esse?", questionou ele.

O medo de que um único aspecto definisse toda a carreira

Ao recordar o cenário cultural das décadas passadas, o artista reconheceu que o preconceito existente influenciava suas decisões. Embora afirme não ter recebido orientações explícitas para esconder sua sexualidade, ele diz que existia uma percepção coletiva sobre os limites impostos aos artistas que fugiam dos padrões esperados pela indústria. "Até porque, na época em que nós vivemos, com o preconceito [que tinha], talvez eu não tivesse feito metade das coisas que eu fiz", refletiu.

Falabella explicou que sua preocupação não era apenas com a discriminação direta, mas também com o risco de reduzir-se a uma única característica. Segundo ele, uma vez que a sociedade cria uma etiqueta para alguém, é difícil escapar dela. "Nunca me falaram isso abertamente, mas a gente sentia". 

Para o artista, havia um receio de que sua identidade pessoal passasse a ocupar mais espaço do que suas realizações profissionais. "Não queria fazer uma carreira em cima disso, não queria ser colocado em uma prateleira, porque depois que te colocam, você não sai mais."

Depois de mais de 50 anos de carreira, responsável por sucessos no teatro e na televisão, Miguel Falabella parece reafirmar uma convicção que sempre guiou sua trajetória: antes de qualquer rótulo, ele queria ser reconhecido pelo seu trabalho. E talvez seja justamente essa recusa em caber em definições simples que tenha ajudado a construir uma carreira tão plural e duradoura.