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Homem é condenado à prisão por homicídio motivado por homofobia em MG

Decisão do Tribunal do Júri responsabiliza réu por incitar e ajudar adolescente no assassinato de Kennedy Rodrigues Campos; defesa recorre.

por Redação MundoMais

Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026

Brayan Rosa de Oliveira, de 19 anos, foi condenado a 20 anos de prisão em regime inicial fechado por participação no assassinato do enfermeiro Kennedy Rodrigues Campos, de 26 anos. A decisão do Tribunal do Júri, proferida após cerca de 10 horas de julgamento, atendeu à denúncia do Ministério Público (MP), que apontou que o crime foi motivado por homofobia, após a vítima demonstrar interesse em manter uma relação homoafetiva com os suspeitos.

A sentença foi publicada na última terça-feira (6). Brayan respondeu por homicídio qualificado — praticado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima — e por corrupção de menores. O juiz fixou que o condenado não poderá recorrer em liberdade.

A defesa de Brayan nega as acusações, sustenta que ele é inocente com base nas provas apresentadas e confirmou que já ingressou com recurso. O segundo envolvido no caso, um adolescente de 17 anos à época dos fatos, teve o procedimento encaminhado ao Juizado da Infância e da Juventude e permanecia apreendido até a última atualização desta reportagem.

Mensagens e acusação: Como o crime foi planejado

De acordo com as investigações do Ministério Público e as provas extraídas dos celulares apreendidos, o crime foi premeditado. Por volta das 15h do dia do crime, Brayan enviou uma mensagem ao adolescente dizendo: “Nós tem que matar ele mesmo viu”, obtendo concordância do menor.

Durante a execução da violência, no apartamento da vítima, o adolescente esfaqueou o pescoço de Kennedy enquanto Brayan o segurava e tapava sua boca para conter reações. O MP revelou que Brayan já incentivava a agressão verbalmente com frases como: “Pega ele, bora, Zé, enforca ele até matar”.

O magistrado destacou como agravante o fato do homicídio ter sido cometido no interior da residência da vítima, durante a madrugada. Registros no celular de Kennedy mostravam que ele já havia manifestado receio e insegurança antes de receber a dupla no local.

Depoimento e tese da defesa rejeitada

Durante a sessão do júri, foram ouvidas três testemunhas: o delegado do caso, um policial militar e uma vizinha da vítima. Em plenário, Brayan alegou que estava no imóvel apenas para fumar, que não sabia de nenhum plano para tirar a vida de Kennedy e atribuiu a execução integralmente ao adolescente.

A defesa pleiteou a absolvição por falta de provas e defendeu a tese de que o acusado teria agido sob violenta emoção após provocação. Por maioria de votos, o conselho de sentença rejeitou as tese defensivas e reconheceu a responsabilidade do réu na ação criminosa.

Relembre o caso: Da descoberta à prisão

O crime ocorreu em fevereiro deste ano, no bairro onde a vítima residia. Confira a linha do tempo apurada pelas forças de segurança:

• Chegada ao imóvel: Os dois jovens chegaram ao apartamento por volta das 22h a convite da vítima, onde consumiram bebidas alcoólicas e drogas. Segundo relatos à polícia, Kennedy teria feito insinuações sexuais, estopim apontado pelos autores para dar início às agressões.

• Barulhos na madrugada: Por volta das 2h30, uma vizinha relatou ter ouvido gritos e movimentação intensa vindos do apartamento de Kennedy, seguidos do som de pessoas fugindo às pressas.

• Fuga: Após o ato, a dupla se escondeu em uma construção nas proximidades e, ao amanhecer, solicitou um veículo por aplicativo para deixar a região.

• Local do crime: Na manhã de 10 de fevereiro, ao notar marcas de sangue no corredor e a porta entreaberta, a vizinha acionou a Polícia Militar. Kennedy foi encontrado sem vida em um dos quartos. No local e no corredor, a perícia recolheu três facas e celulares.

• Localização e confissão: A PM localizou Brayan e o adolescente em uma residência do município. Ambos confessaram a participação. A Polícia Civil realizou a reconstituição do caso e colheu oito depoimentos por meio do sistema de Oitiva Virtual Móvel (OVM).

Homenagem e comoção

Kennedy Rodrigues Campos atuava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Patos de Minas. Em nota oficial emitida à época, o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Paranaíba lamentou a perda e destacou a trajetória profissional do enfermeiro:

“Kennedy atuava com dedicação, compromisso e humanidade, exercendo a enfermagem com responsabilidade, zelo e profundo respeito às pessoas.”

O velório foi realizado no Memorial Vita, em Patos de Minas, e o sepultamento ocorreu no dia 11 de fevereiro, sob forte comoção de familiares, amigos e colegas de trabalho.